Câncer de mama: o antes, o durante e o depois

Existe uma Manu antes e uma Manu depois do câncer

Emanuelle Rieper, natural de Joinville, sempre foi uma mulher apaixonada pela vida. A veterinária adora cavalos e atividades ao ar livre. Sua vida estava à todo vapor: ela trabalhava no financeiro da empresa de sua família, com casamento marcado com sua grande paixão. E quando ela, por pura intuição, fez um autoexame em suas mamas durante o banho e descobriu um caroço do tamanho de um ervilha, tudo mudou completamente. 

“A verdade é que a minha história começou antes disso” - contou Manu para a Lilit. Sua mãe havia travado uma longa batalha contra o câncer de mama. Ela viu todos os passos acontecerem: a descoberta do câncer, a remissão, a volta do câncer e a metástase. Infelizmente, sua mãe não aguentou e faleceu em abril de 2012. “O câncer mudou a nossa família”. 

A DESCOBERTA 

Ela estava a um mês do seu casamento, em março de 2019,  quando começou a sentir desconfortos na mama esquerda - mas achava que era estresse para o casamento. Quando ela voltou do trabalho e foi tomar banho, sua intuição falou mais alto e ela sentiu que deveria fazer o autoexame na sua mama. Na palpação, encontrou um caroço do tamanho de uma ervilha. Ela foi para seu mastologista e fez um ultrassom - e naquele momento, não parecia ser nada significativo. 

“Como eu sabia da minha genética, resolvi fazer o teste BRCA-1 e BRCA-2 - o mesmo que a Angelina Jolie fez. Ele descobre sua predisposição para ter câncer de mama e ovário. O resultado eu já esperava: 80% de chance de ter um câncer.”

Vieram as dúvidas. Vieram os medos. Manu era recém casada e esperava ter filhos nos próximos anos. Como amamentar sem meus seios? Ela sabia que o tratamento preventivo era a retirada das mamas. Mas nenhuma mulher está pronta para escutar que tem que tirar um pedaço de nós essencial para nossa autoestima e reprodução humana. 

“Conversei com meu marido. Ele foi meu maior encorajador. Ele falou: Manu, quantos bebês hoje não tem leite materno e vivem de fórmula? Não vamos perder nosso sonho por isso.” 

Na quarta-feira da mesma semana, Manu fez outro autoexame. “Algo veio na minha cabeça e eu coloquei a mão na mesma mama esquerda. Eu sabia que a predisposição estava ali”. Ela retornou ao mastologista. Fizeram uma punção. Sete dias depois, veio o resultado: carcinoma maligno. 

“Na primeira hora que vi o e-mail, eu fiquei sem reação. Eu estava na empresa. Peguei o teste, fui até a mesa do meu pai e falei: "Pai, eu tô com câncer". O olho dele encheu de lágrima, mas ele respondeu na hora “Vamos procurar o melhor médico. Não deixe a tua cabeça te abalar. Levanta e vamos matar esse negócio aí.”

Manu retornou ao mastologista e ele falou que poderia ser um falso-positivo - era necessário fazer uma biópsia. No meio tempo, Manu procurou um médico renomado em São Paulo de câncer de mama. “Quando saiu o resultado da biópsia eu estava indo para São Paulo. Deu que tudo estava normal. Eu e meu marido não parávamos de pular e nos abraçar”. 

A alegria não durou muito: o médico em São Paulo fez a palpação e viu que Manu precisava fazer uma ressonância. Depois que saiu o resultado, a indicação: retirada total das mamas e análise do nódulo.

Na cirurgia, o patologista confirmou: era mesmo um carcinoma maligno. Manu teria que fazer quimioterapia.

NÃO DEIXA A CABEÇA TE ABALAR

Segundo um estudo do Hospital das Clínicas da USP, de 22% até 29% das mulheres podem desenvolver depressão. Essa variabilidade está associada aos estados do tumor, estágio clínico, dor, funcionamento físico limitado, além da existência de suporte social.

Manu levou a frase “Não deixa a cabeça te abalar” do pai como inspiração e mantra para todo o tratamento. A força de vontade de melhorar e encarar a doença como um obstáculo a ser superado a ajudou em cada passo do processo de recuperação. 

Como ela iria fazer o processo de quimioterapia, ela decidiu congelar seus óvulos. Foi mais um processo: foram duas coletas de óvulos antes da quimio. 

Nos dois primeiros ciclos (de dezesseis) da quimioterapia, Manu começou a sentir seu cabelo cair. “Eu estava preparada para meu cabelo cair. Pensava, beleza, menor dos problemas meu cabelo cair. Mas quando começa a cair, é completamente diferente. Dá uma angústia estranha”.

Manu conta que suas amigas foram fundamentais nesse processo. “Chamei elas aqui em casa. Colocamos um café, uma música. Raspamos minha cabeça juntas. Foi divertido - e essencial para minha recuperação. Batia dias que eu não queria ver ninguém - queria ficar sozinha, na cama. E elas vinham até minha casa e faziam companhia. Isso foi fundamental”.

Os dias ruins viriam. Dias que pareciam perdidos em sua vida. Mas Manu persistia - tentava fazer as coisas mesmo quando parecia que ela não iria conseguir fazer nada. 

Mas mesmo no caos, no ápice da sua quimio, ela se olhava no espelho e amava o que via. “Eu tinha alguns lenços, mas eu assumi a careca. Me achava linda. Eu tomava banho, pintava a sobrancelha que tinha caído, passava rímel nos poucos cílios que restavam. Eu me sentia ótima.”

A falta de libido - natural em pacientes com câncer - não impediu Manu de continuar sua vida sexual. “A lubrificação, antes natural, não vinha naturalmente. Improvisamos: usamos óleo de coco. Respeitamos meus momentos. Às vezes simplesmente não rola. Tenho a sorte de ter um parceiro que me entende e me respeita.” 

A ALTA (E A VOLTA DO CÂNCER)

Vieram a época das quimios “brancas” - as quimios mais leves do final do ciclo. E junto com elas, a pandemia. Manu teve que transferir seu tratamento de São Paulo para Itajaí. 

Veio o medo e angústia - como ela iria sobreviver a aquela doença desconhecida com a imunidade tão baixa? 

“Eu falava pro meu marido: não aguento mais. Ele me apoiou em todos os momentos que eu pensava em desistir.” E ela lutou com vários obstáculos: ela parou de comer açúcar - que piora o quadro de câncer - e como qualquer adulto que passou sua vida inteira comendo coisas doces, foi um desafio enorme.

“Eu sonhava com uma pipoca doce. Mas pensava no meu marido. No meu pai ter uma segunda perda pelo câncer. Eu lutei contra meus desejos não só por mim - mas por eles também”.

O grande dia chegou. Maio de 2020, acabaram as quimios. A alta com uma festa virtual - repleta de flores e presentes enviados. A página do câncer tinha sido virada na sua vida. Ela voltou a trabalhar, foi refazendo a vida. Infelizmente, a calmaria não durou muito tempo.  

Em dezembro, ela estava na academia com sua personal. Ela foi pegar um peso no chão e sentiu um desconforto na axila. Quando ela colocou a mão, sentiu um caroço.  “Eu desabei. Chorei ali na hora, com minha personal, no meio da academia.” 

Manu tinha um retorno com seu mastologista de São Paulo. De cara, ele pediu uma biópsia. Veio o resultado: carcinoma com metástase (quando o câncer se espalha para o corpo). “Eu só conseguia chorar. Essa foi a primeira vez que eu achei que eu iria morrer. Eu comecei a lembrar da minha mãe, porque eu vi o resultado da metástase.”

RETA FINAL DO TRATAMENTO

Médico, exame, quimio, tudo de novo. Manu teve que passar por tudo - mas dessa vez, com uma quimioterapia mais branda associada a imunoterapia - com reações mais leves - felizmente, com uma resposta muito boa no seu tumor.

Nesse meio tempo, ela já passou por uma cirurgia, radioterapia, imunoterapia e quimio oral - que vai acabar em dezembro de 2021. E tem data para o final: em janeiro de 2021, acaba todo o tratamento.

“Eu vejo o câncer como um presente. Eu dou mais valor para as pessoas, para as coisas, para minha vida. Tenho um propósito. Sou mais feliz com meu trabalho e com minha fé. Como mulher.”

CUIDE DAS SUAS MAMAS

Ela alerta para as mulheres prestarem atenção no histórico familiar. Como a Manu, faça o teste genético se tiver mulheres na família com câncer de mama, é muito importante investir em um teste genético de BRCA-1 e BRCA-2. 

Cerca de 10% de todos os casos de câncer de mama apresentam componente de herança genética, ou seja, são transmitidos de pai/mãe para os filhos. O exame é essencial para o diagnóstico precoce da doença.

Como com a história da Manu, o autoexame salva vidas. É fundamental fazer mensalmente o autoexame e procurar por nódulos. “Eu vejo que as mulheres têm muito medo de procurar e achar algo. Só que você tem que saber que o câncer só vai dar sintoma quando estiver muito avançado. Se for pra achar, que esteja no estágio mais inicial possível.” - conta Manu. 

CRIANDO SEUS ALIADOS DE BATALHA

  1. Um dia de cada vez. Respeite seus momentos e suas fases. Mas lembre-se você se vai ter amigos e família que vão torcer por você. Cole neles.
  2. Lembre-se que você não é uma fortaleza e tá tudo bem receber carinho de quem te ama.
  3. Reconecte-se com pessoas que gostam de você. Muitas pessoas do passado podem entrar em contato com você para saber como você está. Se você se sentir confortável, deixe elas entrarem na sua vida.
  4. Nesse momento, não precisa apressar sua sexualidade/intimidade ou se sentir culpada pela falta de libido. Faz parte do processo.
  5. Os momentos a dois com seu parceiro de intimidade podem fazer toda diferença: um filme juntos, um jantar a dois. Ficar deitado na cama abraçado. Faça o que te faz mais feliz.

FAÇA O AUTOEXAME

Olhe no espelho e inspecione as mamas com os braços para o alto, para baixo e com as mãos na cintura.

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Use suavemente as pontas dos dedos:

  • Verifique se existem nódulos
  • Examine na vertical
  • Examine em círculos, no sentido horário.

Identificou algo? Agende uma consulta com seu médico. Não deixe passar. 💜

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