Como melhorar a autoconfiança e amar seu corpo

O COVID-19 continua nos mantendo em casa confinados e mudando toda nossa rotina diária, mas para alguns de nós, tem movimentado os negócios. A nutricionista e terapeuta Ayana Habtemariam foi uma delas. No final da primavera, ela começou a ver um aumento de clientes com o mesmo problema: uma fixação no aumento de peso e problemas de autoestima, que se intensificaram com o isolamento social. “As pessoas não se sentem confiantes e estão com vergonha do próprio corpo” - ela conta - “E isso não tem muita base na realidade: elas não mudaram muito desde o início da pandemia, mas a percepção delas sobre o próprio corpo e a autoestima mudaram". 

Habtemariam não é a única especialista na qual os clientes têm relatado insatisfação a autoconfiança e a autoestima. Muitos especialistas em saúde mental têm relatado que os lockdowns de 2020 têm aumentado os problemas com a autoestima e os padrões corporais para muita gente. Problemas de autoestima corporal envolve “sentimento de vergonha, ansiedade e autoestima baixa”, segundo o National Eating Disorders Association - e as pessoas quem têm esse tipo de distúrbio tem mais chances de sofrer de depressão, baixa autoestima e doenças como anorexia e bulimia. Uma imagem corporal tóxica pode se manifestar de várias maneiras, conta a terapeuta Kim Campbell. “Uma pessoa pode ficar olhando para o espelho e desejando que a barriga fosse menor ou engajando em atividades mais extremas como fazer exercício físico em excesso, desregular a alimentação, ficar medindo percentual de gordura, se pesando o tempo todo, se medindo.” - conta. 

Em muitos casos, os problemas de imagem corporal estão conectados com o sentimento de impotência. E é por isso que na era do COVID-19 as pessoas estão com mais problemas nesse sentido - a rotina diária foi completamente impactada.

“Nós perdemos o controle do nosso trabalho, da nossa segurança financeira, da nossa vida doméstica, das nossas amizades, dos nossos relacionamentos pessoais e mais - coisas que estavam estáveis e confiáveis no nosso passado” - conta a psiquiatra Nina Vasan. “Nós não sabemos como vai ser o amanhã, e toda essa incerteza é estressante”. 

Algumas pessoas reagem com a falta de certezas com o foco em uma das únicas coisas que eles têm controle: seus corpos. Esse foi o caso de Emily, de 26 anos, que tem lidado com o estresse de ter adiado seu casamento diversas vezes depois da pandemia. “Antes da quarentena, eu estava na melhor fase com meu corpo. Mas desde então, eu comecei a ver pequenas coisas negativas todo dia - tudo que eu fazia antigamente. São muitos pensamentos: ‘tenho que malhar hoje, não posso descansar, estou gorda, não mereço comer isso’. Eu estou com muito tempo para me olhar criticamente no espelho.”

Reações como a da Emily são bem comuns, de acordo com a médica Amanda Fialk. “Quando seu humor está depressivo, você está muito tempo em casa, você está isolado, sua autoestima tende a diminuir. Você se sente pior”. 

A nova realidade da quarentena pode contribuir para uma imagem corporal negativa. Algumas pessoas ficam mais tempo nas redes sociais, outras ficam olhando para reuniões no zoom e google meet o dia inteiro. Essas duas formas de ficar olhando para uma tela virtual foram gatilhos para a escritora de 33 anos Amanda Gist, que está se recuperando da bulimia e da compulsão alimentar.

“Eu tinha pensamentos e como seria o meu pós corpo depois da quarentena, com aqueles memes todos que surgiram - meu corpo foi ficando cada vez mais inaceitável e o que passava na minha cabeça era 'Deus me perdoe se alguém saísse da quarentena parecida comigo'. Eu entrava no chuveiro e pulava a hora de me hidratar porque peguei aversão a tocar meu próprio corpo. Toda a vergonha de me tocar de volta. Me olhar pela câmera no zoom e no facetime foi terrível - pensava em todo peso que tinha ganhado”

Para Geena, de 27 anos, que também está se recuperando de uma doença alimentar, comprar nos mercados quase vazios nos primeiros dias da quarentena foram super gatilho. “Quando você já está estressada porque está todo mundo de máscara correndo pra pegar a comida que desejam, vem todos os pensamentos tóxicos de volta: ‘não pega isso, você não pode comer isso’. Eu saí do supermercado tremendo as primeiras vezes que fomos. Eu cheguei a um ponto que tinha maus pensamentos negativos diários com meu corpo.” 

Danielle Payton, CEO do app fitness Kuudorse, estava se familiarizando com uma dieta específica para endometriose quando a pandemia começou. Uma vez que começou a limitar as compras no mercado, ela começou a ter um aumento na dismorfia corporal que a acompanhou por anos. “Tinha aquele período de ficar em casa por duas semanas, e foi nesse meio tempo que as coisas afundaram. Eu não queria arriscar pegar COVID-19, então comia o que tinha em casa. No dia seguinte minha barriga inchava e ficava dolorida pela dieta desregulada e eu chorava - não tinha os mesmos recursos que antes.”

Além desses estressores, quanto mais tempo passamos em casa, menor nossas distrações e mais fácil os pensamentos e emoções negativos."Nós podíamos estar suprimindo todas as emoções pré-COVID, mas rolou tanta coisa que as pessoas tiveram que se externalizar de alguma forma. Como resultado, tivemos um aumento nos casos de compulsão alimentar e disforia corporal” - conta Habtemariam. 

Qualquer que sejam as causas para a insatisfação corporal durante a quarentena, existem vários métodos de psicologia para te fazer sentir melhor. Mas o primeiro passo é se tratar com bondade extrema: “ Uma paciente minha me disse ‘tem muitas coisas que eu gostaria de ter feito durante a quarentena se eu não estivesse tão ocupada pensando no meu corpo’. Mas você tem que ser gentil consigo mesma e entender que está tudo bem” - diz Habtemariam.  

 

DICAS PARA AUMENTAR A AUTOESTIMA NA PANDEMIA

Explore o que está por trás dos sentimentos negativos com seu corpo

A imagem negativa corporal nem é sempre só sobre o corpo em si - muitas vezes, existem sentimentos de desmerecimento por trás. Se você se pegar tendo pensamentos ruins sobre seu corpo, pare e pense o que isso pode ser. “Se pergunte, o que é isso que eu estou sentindo aqui? O que eu estou provando ou não para mim mesma nesse momento? É que eu tenho valor? É que eu estou o suficiente?”  conta Campbell. “O ato de virar as lentes críticas para nós mesmos é só uma defesa contra esses sentimentos mais profundos. Se nós conseguimos nos controlar, entrar em contato com esses sentimentos, e talvez escrever sobre ele ao invés de nos martirizar, nós podemos entender melhor o que está acontecendo internamente”. 

Celebre o poder do seu corpo

A próxima vez que você sentir a negatividade vindo, Campbell sugere pensar em todas as coisas legais que seu corpo pode fazer por você. Talvez sua mente te ajude a escrever poemas lindos, ou suas pernas podem te carregar por milhares de passos por dia, ou seu coração enorme te faz ser um grande amigo ou mãe de pet. “Quando estamos com pensamentos negativos, perdemos a perspectiva de outras coisas que são importantes sobre nós mesmos” conta Campbell. “Tudo fica reduzido ao tamanho das nossas calças, o que é tão tóxico e prejudicial para as criaturas complexas e holísticas que somos.” Se você está tendo problemas com isso, seja gentil consigo mesmo. O Dr. Vasan e Habtemariam são fãs do “teste do melhor amigo”. Você está falando consigo mesmo tão gentilmente como você estivesse falando com sua melhor amiga? Se não, note e mude o jeito como se trata. 

Limite o consumo das redes sociais e foque em comunidades de apoio para imagem corporal

Em uma recente pesquisa conduzida pelo instituto de saúde e comportamento FHE Health, 23% das mulheres norte-americanas falaram que as redes sociais têm maior impacto sobre seus próprios corpos - um impacto maior que a mídia tradicional ou os relacionamentos. Se você está se sentindo mais feia que o normal, considere que isso pode ser um sinal que você tem que limitar seu tempo nas redes sociais. “A necessidade de comparação agora é enorme porque estamos nessa situação bizarra juntos e queremos ver como as outras pessoas estão”, conta Campbell. “Então, quando estamos no Instagram e vemos alguém que tem o tipo de corpo, pele ou cabelo que achamos que devemos ter, nós colocamos essa lente crítica em nós mesmos”.  

E não ajuda que muitas mensagens nas mídias sociais agora são voltadas para treinos diários em casa, comida caseira e evitar engordar na quarentena. “Isso cria muita pressão para chegar a um ideal que provavelmente não é fácil de atingir” conta a Dra. Fialk. 

É claro, não são todas as contas nas redes sociais que fomentam os padrões de beleza. Na verdade, existem muitas comunidades online que ajudam pessoas que se sentem sozinhas com seus problemas de imagem corporal. “É muito legal cultivar uma comunidade online ou pessoal de pessoas travando as mesmas batalhas que você e que querem aceitar o próprio corpo.” conta Habtemariam. “Até nós conseguirmos lutar contra esse sistema opressivo que demoniza certos corpos e coloca outros corpos em um pedestal, nós temos que nos ajudar.”

Reveja suas atitudes sobre alimentação e exercícios

Muitos dos pacientes de Habtemariam sofrem de ansiedade - como muitos de nós durante a pandemia de COVID-19 - e têm tendências perfeccionistas quando se tratam de hábitos de bem-estar. “O que eu geralmente vejo são pessoas super fixadas em fazer coisas ‘do jeito certo’. Elas sentem que se não estão fazendo as coisas do jeito certo, a imagem corporal delas vai sofrer e é a culpa delas” - ela conta. 

E é por isso que a Dra. Fialk conta que é importante falar de comida e exercícios de um lugar de não julgamentos. “Existem uma diferença entre dizer ‘Eu quero fazer exercícios porque ajuda a levantar meu ânimo’ e dizer ‘eu quero fazer exercícios porque se não fizer, sou inútil'. É sobre perspectiva e reformular o jeito que nós olhamos. Você pode começar a fazer metas para fazer exercícios porque faz você se sentir bem e não se martirizar porque você não consegue fazer um dia.”

Sobre comida, Dr. Vasan fala que é melhor evitar rotular as refeições como “boas” ou “ruins” porque isso pode ajudar a criar sentimentos de culpa. Ao invés disso,  ela fala para você prestar atenção a como seu corpo está se sentindo e como você se alimenta. “Ache maneiras de se confortar que não incluem comida” - ela conta - “Mas se você está comendo mais que o habitual, curta e não se culpe”. Habtemariam também sugere prestar atenção quando você não está comendo o suficiente: “É realmente difícil lidar com nossas emoções quando não estamos alimentados. Se você tem que agendar as horas de comer e colocar um lembrete no celular, tudo bem. Só tenha certeza que está se alimentando direito durante o dia.”

Entre de volta em uma rotina

Desculpa te falar, mas essa dica requer uma folga nos pijamas - o uniforme da pandemia. "Existe algo que faz você se sentir bem quando você levanta, escova os dentes, toma um banho, coloca roupas pra trabalhar e age como se fosse um dia normal” diz a Dra. Fialk. “O quanto mais ficamos presas em ciclos não divididos entre sono e acordar, mais insatisfeitos ficamos com nós mesmos”

Se conecte com as pessoas que você ama

Se você tem tendência em entrar em rituais de se checar: espelhos, balança, se mensurar - mais tempo você fica na sua própria cabeça e mais força você dá para esses hábitos nocivos. Fale mais com seus amigos por zoom ou meet e façam coisas divertidas como jogos online e ver filmes ao mesmo tempo. 

Fale com um psicólogo sobre sua autoestima e imagem corporal

Com a criação da terapia online, é mais fácil que nunca procurar ajuda profissional para cuidar da saúde mental - incluindo os problemas de imagem corporal e aumentar a autoestima. Sempre procure ajuda de um especialista.

 

Escrito por Erin MagnerTradução livre de artigo publicado originalmente no Well+Good. Leia o artigo original.

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