Me ensine IV

Eu levantei a manga do meu suéter, puxando o tecido sobre meus dedos. Eu queria alcançar debaixo da mesa e toquei na mão do João, mas ele estava sentado na minha frente. Foi o Tiago que me convidou pra jantar. Ele era o professor substituto conhecido, que supervisionava a orientação de vários colegas meus. Eu escutei o João reclamar sobre ele algumas vezes, de como as festas dele eram chatas e pretensiosas. Mas fiquei lisonjeada pelo convite. Tiago estava sentado à minha direita, na cabeceira da longa mesa de madeira escura. 

- Seu argumento só é verdadeiro em uma situação hipotética. Na minha visão, psicanálise ainda não foi provada.

- Eficácia é um mito, João. Você tá tentando medir o imensurável...

Eu conseguia sentir as atenções se voltando para os dois, as pessoas continuavam a conversar, mas notei os olhares neles. As pessoas virando sutilmente as cadeiras para escutar o que estavam falando. Eu estava intrigada, só estava acostumada ao João em sala de aula. A única outra vez que o vi desafiado assim foi por mim. 

A discussão pelo menos era agradável. Mas existia uma tensão palpável nas palavras que trocavam. Eu tentei deixar meu olhar neutro, pra eles não acharem que eu estava encarando. Mas a verdade é que eu estava atenta ao João, percebendo cada movimento dele. A luz de velas iluminava seu rosto enquanto ele levantava a sua taça de vinho. Seus lábios fechados enquanto ele escutava. Como se ele estivesse segurando as palavras, porque sabia que o Tiago estava certo. 

- Não... é o oposto. É uma maneira de se libertar de si mesmo!

- Tá, eu entendo seu ponto. Mas não acho que ele por si só não seja válido.

- O que você acha, Jane? Você é especialista nisso. 

- Obrigada. Mas bajulamento não é a melhor maneira de eu concordar com você. Eu acho que você está certo, Tiago. Em partes. 

Eu conseguia sentir a mesa toda assistindo a gente. A cara do João atenta. O seu olhar me deixava quente por dentro. 

- Bom, é um olhar de miopia pensar que a eficácia é o único jeito de desfazer o conflito do subconsciente. Essa mudança de comportamento também não está bem explicada. Existe um benefício de relacionamento para os pacientes também. 

- Você realmente é a especialista. - disse o João. Senti os pelos da minha nuca arrepiados. 

Na hora que a sobremesa foi servida, eu senti a conversa morrer. A festa saiu da sala de jantar e foi para a sala. Eu não queria trazer mais atenção para a gente. Mantive minha distância do James. Eu fiquei parada na frente da lareira, deixando o calor aquecer minhas pernas. Meus olhos viram um quadro obscuro na parede. 

- Esse é um quadro meio triste, né? Eu pedi pra universidade tirar quando eu comecei a trabalhar aqui.

- Mas agora você gosta...

- Me faz companhia.

Tiago falava com as mãos, mas uma estava em seu bolso. A outra estava no copo de vinho. Era como se ele estivesse contendo sua energia para que ele pudesse focar em mim. Ele me olhou com intensidade. Eu estava desconcertada, tentando quebrar o nosso contato visual. E quando olhei por cima do seu ombro, vi o João olhando em nossa direção. Alguma hora senti a mão do Tiago na parte de cima do meu braço. Foi rápido, mas o João percebeu. 

- Posso ficar aqui com vocês? 

- Claro. Eu queria te apresentar pro João. Essa é a Jane. Ela é uma das alunas que eu estou trabalhando. 

- Na verdade, nós nos conhecemos. Ela estava na minha aula no último semestre. Não é verdade, Jane?

- Sim! Psicologia Lacaniana. Eu fico surpresa que você se lembra. Eu sempre sento lá atrás.

- Espero que ela não tenha te dando muito trabalho como na observação que ela fez ali atrás. 

- Nada que ele não conseguisse lidar. Muito bom te conhecer, João. 

- Igualmente. 

- O seu copo está vazio. Porque não voltamos pra cozinha?

- Não está tudo bem. Você se importa se eu roubar ela um minutinho? 

- Não, claro que não. Vai lá. 

Eu segui o João na cozinha. Ele me deu uma garrafa de vinho sem olhar diretamente para mim e subiu as escadas. Eu olhei por cima do meu ombro para ter certeza que ninguém estava observando a gente. Eu o segui. Ele ligou as luzes de um quarto de hóspedes.

- Oi...

- Oi...

- Você não tem ideia do tesão que tenho por você.

- Talvez você possa me mostrar...

Ele me empurrou contra a porta e começou a me beijar. A forma que os lábios dele se moviam no meu pescoço. Sua barba por fazer. 

- Você queria me comer ali embaixo, né?

- Claro. Você sempre me deixando louco. Você traz esse lado a meu à tona. Eu não quero pensar em você com mais ninguém. Você é minha.

- Eu gosto quando você admite isso. - sussurrei. 

- Vai pra cama. 

Eu sentei na beira da cama e ele pegou nas minhas pernas, me trazendo para perto da sua ereção. Olhei para cima e vi seu sorriso e seu dedo indicador na frente da boca, me lembrando de ficar quieta. Ele levantou o tecido da minha saia pra cima. Abriu minhas coxas e enfiou os dedos na minha calcinha, quase rasgando no processo. Ele se ajoelhou na minha frente, pressionando sua boca na minha coxa. Eu tive que morder meu lábio para não gemer alto. 

- Nós temos que ser rápidos, Jane. 

- Vai... por favor...

Ele começou a lamber minha vulva, entre os meus lábios. Senti o fogo se espalhando dentro de mim. Saía do meu peito e espalhava até minhas pernas. Era rápido e me consumia. Eu agarrei o cabelo e pressionei a cara dele.

- Puta que pariu...

- Eu amo o gosto da sua buceta.

Ele lambia meu clitóris em círculos cada vez mais rápido. Senti a energia mover no meu corpo e precisava dar um jeito de soltar tudo isso. Eu apertei meus seios com minhas mãos, apertando forte. Era demais. Estremeci enquanto gozava.

- Eu acho que gosto de você quando fica com ciúmes...

- Ciúmes é uma palavra forte demais. Eu diria competição amigável. - Rimos.

- Nós deveríamos...

- Sim, vamos lá pra baixo antes que alguém note algo. 

- Você fica preocupado se o Tiago suspeitar de algo?

- Só um pouco. - ele disse, rindo e me dando um beijo rápido. 

Eu levantei e ajeitei minha saia, tentando tirar qualquer parte amassada. Eu sorri pra ele enquanto abria a porta. Parecia ontem que ele era meu professor.

 

Fim.

 

Tradução livre de podcast publicado originalmente no Dipsea. Escute o áudio original.

...

Somos Lilit. Uma das primeiras marcas brasileiras a desenvolver seus próprios vibradores como devem ser: criados por quem usa.

Conheça o Bullet Lilit, seu (novo) primeiro vibrador.

Deixe o seu comentário

Todos os comentários são revisados antes da publicação.

Comprar

O QUE ELAS DIZEM SOBRE O BULLET LILIT?

Entrega super rápida, embalagem cuidadosamente produzida, um cheirinho delicioso e um produto surpreende, já tive outros vibradores, mas nenhum com esse cuidado no acabamento, uma textura delicada, simplesmente PERFEITO! Já sou fã de carteirinha, até comprei um para minha melhor amiga.

Avaliação Anônima