Me ensine I

Eu estava no último ano do meu mestrado. A aula dele era optativa. Não era obrigatória para minha graduação. Mas naquele semestre, foi a aula dele que me deixou mais impressionada. 

Ele apareceu na sala mais cedo para rever suas anotações e preparar  a aula. Seus sapatos estavam sempre impecáveis. Era óbvio como ele amava o que fazia. Toda vez que ele ficava empolgado com a matéria da aula, eu sentia toda aquela paixão, inclinava com atenção, mordia a caneta que tinha na minha boca. Queria ser uma professora como ele um dia. Esse era meu objetivo. 

E então, ele me deu um banho de água fria - nota baixa em uma prova. Logo na prova dele! Disse que meu argumento deveria estar mais redondo - não estava claro. Naquela semana, fui para a sua sala decidida a tentar convencê-lo de melhorar minha nota. Quando entrei na sala, ele estava lá, com seus pés na mesa, concentrado ao escrever - provavelmente seu novo livro. Fiquei desconcertada - é muito íntimo interromper alguém enquanto está gerando uma nova ideia. 

- Ah! Oi Nicole. 

Ele rapidamente arrumou seu cabelo desalinhado e falou para eu sentar na cadeira a frente de sua mesa. Depois de um papinho leve, ele me perguntou o que eu achava de uma parte específica do seu livro. Ele balançava a cabeça enquanto eu falava - parecia que ele gostava do que estava falando, e anotava em um algum bloco esquecido da sua mesa. Esse era o tipo de conversa que você tinha e pensava depois nela por dias a fio, onde você repensa nos argumentos que falou naquele dia várias vezes dentro da cabeça.

Eu voltei na semana seguinte. E na outra semana. Toda vez eu notava que tinha algo sobre ele que me encantava. Nas semanas passadas notei que ele tinha cílios excepcionalmente longos atrás dos óculos e como era uma delícia quando ele arregaçava suas mangas e esticava os braços quando estava cansado. Ele sempre sorria quando eu falava de algum livro que ele não tinha lido. Aposto que passava na cabeça dele: "Quem é essa mulher?"

Eu amava o jeito que ele não concordava comigo, mas nunca levantava a voz, só me fazia perguntas com calma para tentar me mostrar o furo do meu pensamento. Ele era diferente de todos os professores que tive. 

Acabou as férias e novas aulas começaram. Eu senti uma sensação de perda esquisita. Eu não o via mais pelo campus da faculdade. E ele tinha aquele jeitinho de entrar na minha cabeça nos momentos mais inoportunos. Eu tentava tirar ele da minha cabeça. Mas não adiantava: todo cara alto com uma bolsa de couro transpassada já achava que era ele. 

Eu me convenci que provavelmente existia algum tipo de regra da faculdade que bania o relacionamento entre nós - devia ser esse o motivo do sumiço. Comecei a me sentir meio sem graça e pensar que tudo o que rolou entre a gente foi uma viagem na minha cabeça - talvez ele seja apenas um professor muito legal e conversava assim com todos os seus estudantes. 

Até que finalmente defendi minha tese. Quando eu saí daquela sala de aula me senti livre, não sei nem como descrever! Eu andei pelo campus com um sorriso tão grande que quase caia do meu rosto. E então passei no Edifício Edgar, o prédio que ele dava aula e tive uma vontade enorme de dividir as boas notícias com ele antes de contar para qualquer outra pessoa. Eu entrei no elevador, esperei o sétimo andar, e abri a velha porta da sala de aula. Lá estava ele, dando aula para os alunos de graduação. Como estava escuro, sentei quieta no meu canto sem ele notar. Ele estava concentrado na sua linha de raciocínio, tentando nos convencer do que estava falando. Eu comecei a sonhar acordada, pensando no meu sonho de ser professora e nas minhas futuras aulas.

As luzes acenderam e acordei do meu sonho. Ele deve ter acabado de fazer uma pergunta porque ele está olhando para a sala e todo mundo está com aquela cara de "não é comigo".

- Ninguém? Vamos lá gente. Vocês sabem isso.

Ele me viu, prendeu seu olhar no meu e eu tentei não sorrir. Resolvi responder:

- É social e econômico. 

- É exatamente isso. 

Ele me deu aquele olhar com olhos brilhando e dessa vez, eu sorri de volta. A aula acabou e eu fui para a frente, onde os alunos estavam saindo de suas mesas. As suas costas estavam na minha frente enquanto levantava o velho quadro negro. Meus olhos escanearam o seu corpo. Não dava para ignorar aquelas calças apertadas e aquela bunda perfeita. 

- Oi!

- Oi Nicole. É bom te ver de novo. Tá tudo bem?

- Tudo. Vim te falar que defendi minha tese essa manhã! - contei, nervosa - E...

- Ah! Sim. Eu sabia que isso estava acontecendo por agora. Parabéns! Eu não estou surpreso por te oferecerem a bolsa. 

Ri, sem graça. Ele era muito gente boa mesmo. 

- Você tem um tempinho para a gente se falar? Eu adoraria saber como está indo o livro. E... - perguntei, tímida, ao mesmo tempo que ele ia falar algo. Rimos. 

- Sim! Claro! Adoraria. Só vamos ali na minha sala rapidinho. Tenho que deixar algumas coisas lá. 

- Sim! Vamos. 

Quando entramos, ele deixou sua bolsa de couro e suas anotações da aula na mesa e começou a organizar suas coisas. As luzes estavam baixas, a não ser pela forte luz do sol que entrava entre as persianas pesadas da sala. Ele parecia estar lutando com o desejo de me olhar diretamente nos olhos. Como se ele não quisesse conversar imediatamente. Eu amava ver ele se organizar rápido para dar atenção total pra mim. 

- Pronto, acabei de ajeitar aqui. Pronta pra ir? 

- Podemos falar aqui mesmo? - não resisti à pergunta.

- Tá. Não, sim, claro - ele concordou, sem graça. 

Eu sentei na minha cadeira conhecida na frente da mesa dele e ele pegou uma que estava do meu lado. Eu pensei na hora: "Vai ver que ele não quer passar a imagem de professor agora". Comecei a contar que na semana passada tinha descoberto que tinha ganhado a bolsa de doutorado. - Bom, eu tive bons professores e...

- Não. Você conseguiu tudo isso sozinha. - ele disse com sua voz baixa. 

Pela primeira vez considerei que ele tinha tanto tesão na minha mente quanto eu tinha na dele. 

- Mas e você? Me conta? - perguntei. Ele levantou e começou a falar, quando sentou na mesa na nossa frente:

- No começo do semestre, eu estava com um bloqueio no meu livro. Eu pensei em falar contigo, mas não queria que você se sentisse estranha com isso ou algo do gênero. Aí não sei, fiquei sem graça de falar. Mas talvez isso tenha sido sem noção da minha parte. 

- Não, não foi sem noção. Eu achei que era isso. - concordei. 

- Se eu for completamente honesto, eu senti muito sua falta. - ele disse, com cuidado. 

Senti um nervoso quase adolescente, e falei:

- Eu também senti sua falta. 

Ele olhou nos meus olhos e inclinou para frente. Como se estivesse na frente de um limite e não quisesse cruzar. Mas eu cruzei.

Cheguei perto dele, coloquei minhas mãos na suas coxas e beijei ele na boca, suavemente. Os beijos dele eram mais selvagens, com fome, e eu empurrava suavemente para criar mais espaço entre nossos lábios. 

- E a porta, devemos trancar? - perguntei, ainda com alguma sanidade na cabeça

- Eu não me importo - ele disse, entre beijos.

Dei uma risada baixa e disse:

- Sim, se importa sim. 

Ele foi muito rápido: mal me separei dos seus lábios, escutei a porta trancando. Eu estava na mesa inclinada. Eu só senti seu cheiro enquanto ele empurrava seu corpo contra o meu, me levantando e me deixando em cima da mesa. 

- Nós temos que ficar quietos - eu disse, ofegante de tanto tesão. A essa altura, estava completamente molhada. - Eu ainda tenho que pegar o diploma. 

Demos uma risada.

- Tudo bem. - ele disse, levando minhas pernas na sua cintura e pressionando seu corpo contra o meu. Eu me segurei nele enquanto ele tirava seus óculos. Ele pressionou sua ereção no meu corpo e puxou minha saia para cima, colocando suas enormes mãos por debaixo da minha calcinha. 

- Nossa, como você tá molhada.

Eu estava amando demais aquilo. 

- Comecei a ficar molhada desde a sua primeira aula.

Ele riu, malicioso, enquanto me tocava:

- É isso que você quer? Quer que eu te dê uma aula?

- E como você sabe o que eu gosto? Como você vai saber como eu gosto de ser tocada? 

- Me fale como você gosta. 

Eu deitei sobre meus cotovelos enquanto ele tirava lentamente minha calcinha até meus tornozelos. E ele enfiou seus dedos lá dentro. Devagar e suavemente. 

- Você é muito gostosa. - ele falava, com sua voz já rouca.

Eu ensinava como gostava de ser tocada, enquanto suspirava. Não conseguia conter mais meus gemidos: 

- Vai mais fundo. Isso, mais devagar. Ah! Isso, não para. 

- E assim? - Ele disse, indo mais rápido com os dedos

Parecia que eu estava assistindo a minha própria fantasia. Ele beijando meus lábios. Eu com minha cabeça jogada para trás olhando para ele ir mais fundo a cada dedada. Ele me jogando em cima dos seus cadernos de anotações. Os estudantes andando para a sala de aula sem a menor ideia do quão bom ele era em me foder com seus dedos.

Não aguentei muito e gozei ali mesmo: 

- Aí mesmo, continua. Trêmula, contente olhei para ele e pedi: 

- Tire suas calças.

Ele pegou no seu bolso de trás uma camisinha, abriu suas calças rapidamente e afrouxou sua gravata, a puxando para o lado. Ele pegou a parte de trás das minhas pernas e colocou meus tornozelos nos seus ombros. Colocou a camisinha e esfregou o pau em cima da glande do meu clitóris até a entrada da minha vagina, espalhando lubrificação em toda minha vulva.

- Temos que ficar quietos. Pode ter alguém escutando - falou rouco no meu ouvido. 

Eu não conseguia mais me conter. Ele me penetrou e eu na hora amassei os papéis debaixo da minha mão. Ele começou a enfiar bem lento no início, e tirava o pau mais lento ainda. 

- Continue me falando o que você quer. Eu amo quando você me diz o que quer. - ele sussurrou. 

Continuei: - Isso vai mais rápido aí. Esfrega o meu clitóris. Não para. 

Ele foi indo mais forte, mais forte e mais forte, olhando nos meus olhos, meus tornozelos já suando nos seus ombros, sua camisa mostrando seu peitoral e mamilos. 

Eu não estava aguentando mais tanto tesão. Ia crescendo, crescendo e minha voz ia ficando mais alta. Comecei a gemer alto.

E falou no meu ouvido - Não grita. 

Eu já estava gozando. Tudo estava quente e tinha perdido controle, apenas sentia aquela imensa onda de prazer: - Goza dentro de mim. E ele veio junto. 

Acalmamos nossas respirações. Eu amava como suas pernas e corpo estavam por cima de mim. Seu rosto descansando no meu peito. 

- Isso foi o que você achou que poderia ter acontecido? - disse, rindo. 

Ah, você nem imagina, professor. 

 

A relação entre Nicole e seu professor vai continuar? Será que vai ser possível eles terem algo mesmo com as aulas? Descubra.

(Veja a continuação do Conto Me Ensine)

 

Tradução livre de podcast publicado originalmente no Dipsea. Escute o áudio original.

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1 comentário

Muito bom esse conto…confesso que viajei…

Edeilza Borges 07 novembro, 2020

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