Tudo sobre a desigualdade do orgasmo

Fatos:

  • A disparidade de gênero no orgasmo, conhecido como orgasm gap, é uma estatística na frequência de orgasmos entre parceiros durante o sexo heterossexual. 
  • Mulheres têm orgasmos 86% das vezes durante sexo com outras mulheres, entretanto, no sexo com homens, mulheres têm orgasmos apenas em 65% das vezes.
  • A cultura popular sobre sexualidade nos ensina que 1) os homens devem iniciar o sexo, 2) o orgasmo só acontece durante o sexo com penetração, 3) o sexo acaba quando um homem chega ao clímax. 
  • Comunicação é a chave para combater a disparidade de gênero no orgasmo. 

Os orgasmos reduzem níveis de ansiedade e estresse, aumentam a imunidade e a autoestima - além de induzir vários hormônios como a dopamina e a serotonina no corpo. No entanto, nem todo mundo está conseguindo equidade na hora de ter um orgasmo. 

Segundo estudos recentes, existe uma disparidade na frequência do orgasmo entre parceiros realizando sexo heterossexual. Mas o que isso significa? As mulheres não estão chegando ao clímax na mesma frequência que os homens. Para cada 100 vezes que um casal heterossexual tem sexo, o homem vai ter um orgasmo 95 das vezes, e a mulher vai ter um orgasmo 65 das vezes. Isso significa que homens heterossexuais estão tendo 35% orgasmos a mais que suas parceiras. 

Ter um orgasmo é somente uma das métricas que usamos para medir o prazer. Não ter um orgasmo, ou ter dificuldade de ter um orgasmo, não deve ser motivo de vergonha. Os orgasmos não são um pré requisito para um sexo de qualidade - embora não haja dúvidas que seu prazer deve ser priorizado durante o sexo. 

Nós entendemos que pessoas com todos os tipos de orientação sexual e identidade de gênero podem sofrer com a disparidade de orgasmos. Mas a disparidade de gênero no orgasmo geralmente se refere a casais heterossexuais, cisgênero, homens e mulheres.

O que causa a desigualdade de orgasmos? 

Não existe uma única causa para a disparidade de orgasmos. Uma combinação complexa de fatores biológicos e culturais impactam a experiência do sexo. Educação sexual é uma das maneiras que pode informar as pessoas sobre seus corpos e o sexo, mas no Brasil e o mundo, ainda é uma ferramenta pouco utilizada nas escolas - com muito tabu e desinformação. Isso quer dizer que os jovens crescem sem ter conhecimento sobre sexualidade e sexo, e não entendem a anatomia básica humana nos seus corpos e nos corpos de seus parceiros. 

A representação da cultura popular também influencia como os homens e a mulheres fazem sexo. Os roteiros tipicamente nos contam que os homens devem iniciar o sexo, que as mulheres só gozam através de sexo com penetração, que o sexo acaba quando o homem chega ao clímax ou que mulheres devem fingir um orgasmo para serem educadas com o parceiro. Embora isso seja bem comum, esses roteiros são influenciados por estereótipos repetidos no nosso imaginário coletivo - sem nenhuma base na realidade.  

Além da falta de educação sexual e representação sexual problemática, muitas pessoas também já vivenciaram traumas psicológicos físicos de origem sexual. Existem muitas maneiras que o trauma pode impactar a forma que as pessoas fazem sexo - sozinhas ou acompanhadas. Um histórico de abuso ou trauma pode causar sentimentos de culpa, autoestima baixa e podem tornar difícil a conexão sexual - virando gatilhos de memórias ou sentimentos complicados. Todos esses fatores ajudam a criar o que chamamos de disparidade de gênero no orgasmo. 

Quem é impactado com a disparidade de gênero no orgasmo?

Mulheres heterossexuais são as pessoas que mais sofrem com a disparidade de gênero no orgasmo, embora existam outras pessoas que têm menos orgasmos que seus parceiros. 

De acordo com um estudo com mais de 52.000 adultos americanos, homens heterossexuais têm orgasmos 95% das vezes que fazem sexo, enquanto mulheres heterossexuais só tem orgasmos 65% das vezes. Homens gays têm orgasmos 89% das vezes, e mulheres lésbicas 86% das vezes. Mulheres bissexuais têm orgasmos 66% das vezes. Resumindo: o gênero e a orientação sexual do seu parceiro tem um grande impacto no seu prazer.  

Alguns tentam explicar essa disparidade argumentando que as mulheres têm menos orgasmos que os homens porque elas são mais complicadas psicologicamente e fisicamente ou apenas têm dificuldades para chegar ao clímax, mas as estatísticas provam o contrário. Se as mulheres têm orgasmos 86% das vezes durante sexo com mulheres e as mulheres só chegam ao orgasmo 65% das vezes durante o sexo com homens, essa grande diferença estatística significa que a disparidade de orgasmos pode ter origem na falta de comunicação e conhecimento anatômico limitado entre homens e mulheres. 

Tipos de disparidade de orgasmo

Existem diversos tipos de disparidade quando falamos de orgasmos. Por exemplo, existe uma grande disparidade na frequência de orgasmos nos relacionamentos monogâmicos e no sexo casual. 

Um estudo com 600 estudantes universitários no Kinsey Institute na Universidade de Indiana e na Universidade Binghamton, biologistas evolucionários descobriram que as mulheres tinham o dobro de chance de chegar ao clímax com a penetração ou sexo oral em relacionamentos monogâmicos do que no sexo casual. 

Um estudo parecido com 24.000 estudantes da Universidade de Nova York mostrou que 40% das mulheres tiveram um orgasmo no seu último sexo casual em comparação a taxa de 80% dos homens. Entretanto, cerca de  ¾  das mesmas mulheres relataram que tiveram um orgasmo durante o último encontro com seu parceiro em um relacionamento monogâmico.

A disparidade de orgasmos que existe entre relacionamento monogâmicos e sexo casual não significa que ser monogâmico garante um bom sexo. Na verdade, mostra que as mulheres em relacionamentos monogâmicos se sentem mais confortáveis para expressar seus desejos para seus parceiros sexuais, e que seus parceiros estão mais comprometidos em satisfazê-las. Entretanto, não existe um botão mágico que garanta o orgasmo, e o orgasmo não é garantia de um sexo satisfatório.  

Por que a disparidade de orgasmos importa?

Nós acreditamos que a disparidade de orgasmo é tão prejudicial quanto a disparidade de salários entre sexos. 

“A disparidade de orgasmos entre gêneros é tão grave quanto a disparidade de salários, e está construindo uma cultura de assimetria sexual em nossa sociedade”. 

Paula England -  Universidade de Stanford

Quando as mulheres não são tão bem remuneradas como os homens no trabalho, nosso trabalho é diminuído, e quando as mulheres não recebem o mesmo prazer que os homens na mesma interação sexual, nosso prazer é diminuído.  Embora um orgasmo de uma mulher possa não parecer tão importante quanto um salário, os dois são ferramentas de empoderamentos e recompensa. Existe uma variedade de fatores que podem tornar impossível a total equidade de prazer em todas as situações, mas a meta de gozar tanto quanto os homens deve ser prioridade. Nós somos tão importantes quanto e merecemos o direito ao prazer, dentro e fora do quarto. 

A disparidade de orgasmos na cultura popular

A disparidade de orgasmo tem sido retratada em filmes e na TV desde sempre. Conversas sobre mulheres fingindo orgasmos ou “encarando” o sexo como obrigação social aparecem em filmes como “Harry e Sally” e a famosa sitcom “Seinfeld”, além de serem repetidas por comediantes como Amy Schumer. Quando as mulheres aparecem tendo um orgasmo nos filmes de Hollywood, geralmente é só com sexo com penetração. De acordo com uma análise de 33 estudos sobre orgasmo da autora Elisabeth Lloyd em seu livro “The Case of Female Orgasm”, somente 25% das mulheres têm orgasmos com penetração sexual. Isso significa que os retratos das mulheres chegando ao clímax nas telas que nos vemos ao crescer são representações grosseiras da realidade. 

“Eu exijo chegar ao clímax. Acho que todas as mulheres têm que exigir isso.”

Nicki Minaj

Criando uma cultura de prazer

Como nós podemos acabar com a disparidade de orgasmos e criar uma cultura de prazer? A educação sexual é uma ótima forma de começar a criar uma sociedade sexualmente positiva. Uma vez que você sai do ensino médio, a educação sexual vira autodidata, e priorizar seu prazer individual como um método de autocuidado é crucial nesse processo. Mas primeiro, você tem que aprender a se comunicar com o parceiro. 

“Lembre-se de se permitir a viver o real prazer, e não se preocupe o quanto tempo isso pode demorar.” 

Amy Poehler

Comunicação: como você pode educar para ter um orgasmo?

A comunicação é a chave para acabar com a disparidade de orgasmos, e comunicar como você gosta de receber prazer pode ser uma ferramenta poderosa. É sempre bom falar sobre sexo em um lugar neutro fora do quarto, antes que qualquer atividade sexual possa começar. Dessa forma, as guardas emocionais dos dois estão baixas, e é mais fácil falar o que passa na sua cabeça. Se você não está acostumada a falar ou até pensar em sua vida sexual em algo que você possa melhorar, tente começar a conversa com essas sugestões:

  • "Você quer tentar algo novo? Eu nunca tive a chance de ter um orgasmo com um parceiro antes, mas adoraria explorar isso com você."
  • "Têm várias coisas que eu gosto na nossa vida sexual, mas sinto que a gente pode ficar ainda melhor tentando novas coisas! Eu achei esse vibrador que é ótimo para casal, pode ajudar a gente a aumentar nosso prazer juntos. O que acha de usarmos algum dia desses?"

Se falar cara a cara te deixa nervoso, tente escrever por whatsapp ou mensagem. Esses roteiros são só algumas sugestões. 

Conclusão

Acabar com a disparidade de orgasmos pode ser difícil em uma grande escala, mas se educar e educar seu parceiro, até mesmo seu grupo de amigos, é um ótimo primeiro passo. Se você é uma mulher que pratica sexo heterossexual, fale com outras mulheres sobre suas experiências com orgasmos durante o sexo, e sobre as formas que o prazer é representado na TV e nos filmes. Fale com seus amigos homens heterossexuais e parceiros sobre as mesmas coisas. E o mais importante, fale com os parceiros homens heterossexuais sobre como você gosta de chegar ao orgasmo durante o sexo. O primeiro passo para acabar com a disparidade de orgasmos é a educação, mas o segundo passo - crucial - é a comunicação, e quanto mais conseguimos falar sobre isso e ficar confortáveis de comunicar, mais podemos trabalhar para conseguir uma cultura de equidade do prazer.

Tradução livre de artigo publicado originalmente no O.School. Leia o artigo original.  

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