Contos direto ao ponto

Conto 1 | Ela pede, eu obedeço

Ela marcou de novo comigo no Café Flore. 18h em ponto. Lá estava eu, com minha saia plissada e camisa abotoada. Ela já me esperava com um moscow mule na minha frente. Até o drink era ela que pedia. E eu vibrava: amava ser dela. Ser mimada. 

- Então depois que rolou aquele caso com a Yasmina, você virou sapa totalmente?

- Sim. Entrei naquela fase de ver The L World todo dia. Vi todos os filmes lésbicos do planeta. Comprei um vibrador neon. Li um livro chamado Vagina.

- Eita!

- Sim, raspei o cabelo. Preferi não performar feminilidade. 

- Eu não conseguiria…

- Ah, eu raspei tudo logo. 

- Você devia estar muito gostosa… 

Ela passou a mão nos meus cabelos, encurvando o dedo por um dos meus cachos.

- E você já chegou a transar de cara? Eu demorei.

- Se eu transei? Amada, eu me esbaldei. Saí com todo o tipo de mulher. Empresárias, estudantes, senhoras... tudo. 

- Até me encontrar, né?

- Você foi a minha ruína. Não existe ninguém como você. 

- E não tem ninguém que goste de ser minha como você. 

Ela puxou o meu colarinho e me beijou com força. Me senti toda quentinha por dentro. 

- Me encontra daqui a dois minutos. Estou no banheiro. Bate e diz que eu esqueci o celular.

- Amanda…Espera!

Ela caminhou a passos largos até o banheiro, seu salto ecoando no chão de azulejo. Esperei dois minutos, tensa, os cabelos da minha nuca completamente arrepiados. Ela me tinha por completo: eu amava como ela me controlava. Morria de medo de transar ao ar livre, mas o tesão sempre falava mais alto.

Peguei minha bolsa e fui ao seu encontro. Bati na porta: 

- Ei, você esqueceu seu celular!

A porta abriu e sua mão me agarrou. Ela me prendeu com as duas mãos na porta fria do banheiro e me beijou. Eu amava como ela era mais alta. Como me sentia protegida nos seus seios. Ela colocou a mão debaixo da minha blusa e brincou com meus mamilos duros. 

- Seja uma boa menina e gema baixinho. 

Ela não deu dois tempos e agachou, entrando por baixo da minha saia e rasgando minha calcinha. Porra! 

Sem me deixar pensar, ela lambeu minha vulva de uma vez. Segurando na maçaneta da porta, eu segurava para não gritar alto. Sentia ela lamber meus lábios e usava os dedos para traçar meu clitóris - de um lado para o outro, depois circulando. Eu comecei a gemer mais alto e ela colocou uma mão na minha boca.

- Eu falei pra você ficar quieta!

Era demais. A intensidade da sua mão, meu suor acumulando, minhas bochechas rosas. Ela ria baixo, seu sorriso estampado na cara. Fechei os olhos e senti a deliciosa explosão: estava completamente encharcada. 

Ela tirou a mão do meu rosto e me beijou, um beijo suave, leve. 

- Difícil não se apaixonar por você.

Conto 2 | Sessão de Terapia

Eu sentei em um sofá recamier de veludo na frente dela, esperando que ela olhasse para o notebook em sua frente para que eu pudesse dar uma olhada em seu corpo. Eu estava fissurada nela. O jeito que o salto grosso de couro cortava a luz do sol que vinha da janela, ou como ela lambia o dedo antes de virar uma página de seu caderno de anotações, ou como ela girava o relógio em seu pulso. Eu ficava pensando se eram hábitos dela, no que ela devia estar pensando. 

- Como foi essa semana?

- Olha, foi meio sem graça. 

Eu tinha acabado com minha ex alguns meses atrás e as coisas terminaram mal. Depois disso, comecei a procurar um terapeuta. Eu não achava que era uma coisa essencial, procurei porque via as pessoas procurando terapeutas depois que acabavam relacionamentos. Sei lá, parecia algo que eu deveria fazer.

Essa é minha terceira sessão com a Joana. Eu estava meio relutante nas minhas respostas, não porque eu estava escondendo algo, mas porque eu gostava de revelar as coisas aos poucos. Eu estava mais interessada em saber mais sobre ela. O modus operandi era ficar imóvel. E quando ela movia, era algo pensado. A intensidade dela me desarma. As três vezes que a encontrei, ela usava uma blusa de botão dentro das calças. Eu via entre os vão da blusa seu abdômen definido. 

Depois da minha segunda sessão de terapia, tive um sonho com ela. Eu não lembro de quase nada do sonho. Mas lembro o final: enquanto eu olhava para ela, ela colocava o seu salto no meu pescoço e pressionava gentilmente. Eu acordei com a minha mão no pescoço, e marquei uma sessão para o mesmo dia.

- Você acha que vai encontrar ela de novo? - ela disse, se referindo a minha ex.

- É... não sei. 

- Porque não?

- Você acha que deveria?

- Ah, essa não é uma coisa que posso responder por você. O que você acha?

- Bom, ela era até legal. Diferente do que eu estava acostumada, pelo menos.

- Como assim? 

- A Teresa era aquela pessoa que vivia o momento, sabe?  Mas era demais. Tipo, ela tava pronto pra te chamar pra uma viagem de longa depois do terceiro encontro. Dava aquela sufocada. 

Ela virava o relógio no pulso. Escrevia algumas coisas. Me olhava em silêncio.

- Você ainda fala com sua ex? - ela falou, com aquela voz mais grave e elegante.

- Porque você pergunta isso?

- O quê? sobre ligar pra ex?

- Não, pergunta sobre ela.

- Bom, você falou dela em todas as sessões. Ela ainda é algo que permanece em sua vida, de alguma forma.

- É...  bom, ela me manda mensagem. Ela é apegada... isso sempre foi brochante. Eu gosto quando tenho um pouco de joguinho, sabe? Mas gosto de saber que ela ainda pensa em mim. Isso é normal, né?

- Você sente falta dela?

- Ah, eu tento não pensar desse jeito.... ai não sei. Acho que sim, sinto falta. 

- O que você sente falta nela?

- O pragmatismo dela. Ela sempre tinha razão pra tudo. E dos peitos dela. 

Rimos juntas. A risada dela parecia ser uma pequena brecha, uma janela acidental que se abriu para mim. Talvez ela me achasse engraçada. Talvez ela não conseguisse resistir a reação, mesmo que o trabalho dela fosse ficar neutra. 

- Ontem a mulher que fiquei me mostrou fotos dela fumando maconha. Mas tipo, de uma maneira performática. Foi esquisito. Ela ficava me perguntando o que minha tatuagem significava. E ela me mandou uma mensagem pra falar que curtiu o nosso momento juntas... Você acha que eu só gosto de mulheres mais aventureiras? 

- Você acha isso?

- Haha. Eu acho agora...

- Mas você já considerou isso antes?

- Não com essas palavras. Eu curtia gente que curtia diversão. Nada sério.

- Bom, se divertir é legal.

Ela coçava seu pescoço, abrindo o colarinho da blusa de lado. Eu podia ver a junção do seu ombro com pescoço. O sutiã preto apertado contra a pele. Me ajeitei no sofá. 

- Você já sacou o que tem de errado comigo?

- ...

- Esse silêncio significa que é ruim, né? Porra, tô ferrada.

- Eu não acho nada disso, Rose. Eu não te conheço tão bem assim, mas não acho que você está ferrada. Eu só acho que você não veio aqui para ser analisada. Você veio aqui para me ver.

Eu belisquei a pele em cima do meu joelho através do buraco do meu jeans. Me acalmou um pouco.

- Vamos dizer que eu estou aqui para te ver. O que isso quer dizer sobre mim? 

- Como te disse, não te conheço tão bem assim.  

- Eu já pensei em te beijar. 

- Eu diria que já sei disso.

Eu mudei de posição e a minha bunda estava praticamente fora do sofá. Ela fez o contrário: sentou-se calmamente em sua cadeira. Fechou o laptop em sua frente. Eu decidi levantar. Ela não disse para eu parar. Eu coloquei minhas mãos no entorno da sua cadeira e me inclinei até que conseguisse sentir o perfume debaixo de seu queixo. Eu a beijei gentilmente. Ela hesitou. Como se ela tivesse sido atingida por uma onda e se tocasse do que aconteceu. 

- Você não pode fazer isso - ela disse, com a voz mais rouca que o habitual.

- Então tente me parar.

Ela levantou. Minha testa estava no nível de seus lábios. Ela me fazia me sentir pequena, olhando para baixo em cima de seus saltos. Eu beijei ela de novo, de língua, mais forte, mais insistente. 

- Tire sua blusa - falei, sussurrando.

- Você tira primeiro. 

Depois disso foi caos completo. Nós nos agarramos como se estivéssemos famintas, focadas apenas uma na outra. De alguma forma, me encontrei completamente nua.

- Você gosta de sentir isso.

- Isso o que?

- De sentir que você está fazendo coisas que não deveria estar fazendo.

Ela gentilmente pressionou a mão no meu ombro, me fazendo ficar de joelhos e usou a mesma mão para levantar meu queixo. Eu olhei para cima sem mexer a cabeça. 

- A partir de agora você só assiste. - ela disse.

Ela tirou o cinto de couro e suas calças lentamente, antes de tirar a calcinha de renda na minha frente. 

- Você veio aqui para me ver.

- Sim, sim...

- Então chegue mais perto.

Ela se inclinou na mesa, com os quadris para frente e colocou as mãos na parte de trás da minha cabeça, me convidando para sua vulva. Não pensei duas vezes. Comecei a lamber a parte externa, os lábios, o clitóris. 

- Use a ponta da sua língua. Isso.

Ela gemia baixinho.

- Posso te contar um segredo?

- Hmmhmmm - respondi, enquanto lambia toda sua buceta. 

- Você não está ferrada. Você é uma safada. 

- Mas isso é para ser um segredo...

- Eu sei porque sou igual. 

A ideia dela me imaginando do mesmo jeito erótico que eu imaginei ela me fazia me sentir elétrica. Eu chupava ela com força, minhas mãos na sua bunda. Eu queria mostrar pra ela que valia a pena. Eu enfiei um dedo nela e comecei a deda-la devagar, usando toda sua lubrificação natural. Eu colocava a ponta da minha língua no seu clitóris acelerando quando senti seus dedos no meu couro cabeludo. Eu não parei até sentir seus gemidos mais altos e ela recuar, de tão forte que foi seu orgasmo. Ela estava recuperando o fôlego, com uma mão na sua mesa a apoiando. Olhando para mim com uma cara de incredulidade. Eu estava nos meus joelhos, sorrindo. 

- Cacete, que orgulho que tenho de ti. Agora é a sua vez. 

Ela me pegou pelo pulso até os fundos da sala e me deitou no sofá. Eu queria pegar nos seus peitos, mas ela impediu as minhas mãos, colocando-as para cima da minha cabeça.

- Agora quero te fazer gozar. 

O corpo dela estava sobre o meu. Sua paciência era implacável, de um jeito que eu amava. 

- Por favor...

- Isso. Implore. 

Ela finalmente se moveu e começou a mover seus quadris contra o meu, sua vulva na minha vulva. Os lábios dela estavam na minha mandíbula e iam até minha orelha, mordendo suavemente enquanto ela apertava meus mamilos até eles começarem a doer, de um jeito delicioso. Senti sua mão descer para meu clitóris. Conseguia sentir meu coração pulsando em meus pulsos perto dos meus ouvidos. Ondas de prazer me engoliam. Eu não conseguia pensar direito. Eu tentei mover minhas mãos.

- Não mexa.

- Desculpe...

- Faça o que eu te falo pra fazer. 

Eu gostava de testá-la. Eu queria ver o que ela fazia comigo se eu fosse longe demais. 

- Eu não acho que você consegue me fazer gozar - disse, travessa.

- Então o que é isso?

Ela ia mais rápido, pressionando meu clitóris em círculos. Queria provar o contrário. Eu só conseguia gemer, sentindo meu corpo todo quente.

- Isso, vai...

Chegamos ao ápice juntas. Começamos a acalmar nossa respiração. 

- Isso quer dizer que não podemos mais nos ver?

- É melhor não...

(Veja a continuação do Conto Sessão de Terapia)

Tradução livre de podcast publicado originalmente no Dipsea. Escute o áudio original.

Conto 3 | Me mostre que eu faço

Eu não sei como chegamos nesse ponto. A champagne estava derramada no tapete, enquanto ríamos da histórias bizarras do ensino médio. Eu já tinha ficado com a Julia. Julia tinha namorado com a Maria. E quando adultas, eu e Maria namoramos. 

Colocando o copo na mesa de madeira, eu senti coragem de falar o que estava pensando:

- É engraçado como nós nunca nos pegamos né?
- Como assim, Eva? Nós três ao mesmo tempo?
- Sim, hahaha.

Julia sempre foi a pessoa que iniciava no nosso grupo. E hoje, não seria 
- E se jogássemos um jogo? Eu falo, vocês obedecem.

Eita. Lá vamos nós.

- Seu sonho de consumo, né Julia?
- Como você descobriu? hahaha.
- Eu topo - Maria riu.
- Eu também - disse.
- Então ok. Vamos chamar de "Julia pede". Nesse momento, eu quero que você tire a blusa da Maria, Eva.

No momento, eu estava achando graça. Mas enquanto eu tirava a blusa da Maria, senti borboletas na barriga.

- Ótimo. Maria, tire a blusa da Eva.

Eu dei um sorriso a acenei com a cabeça. Senti as suas mãos na minhas costas. Estávamos tão perto que eu conseguia sentir meu peito subir e descer. O sutiã rendado caiu no chão, e eu sentia seus mamilos duros nos meus dedos. Era difícil me segurar.

- Maria, brinque com os peitos da Eva. Devagar. Desse jeito.

Eu não sou o tipo de pessoa que gosta de festas surpresas para o meu aniversário. Não gosto de ser o centro de atenções. Mas quando as mãos da Maria estavam em mim, eu não ligava. Nem eu pouco. Eu amava. Ela beijava cada mamilo com atenção. Lambia, mordia, chupava.

-Eva, tire a calcinha da Maria.

A Julia estava encostada, vendo a cena desenrolar. Ela mordia os lábios de antecipação. Eu levantei meus quadris um pouco. Eu queria dar o show completo para ela.

- Beijo o corpo dela. Beije a barriga dela. Assim. Agora eu quero que você me beije minha buceta.

Eu tentei não perder o foco enquanto a Julia chegou na minha frente e sentou na minha cara. Os quadrais dela estavam deslizando em pequenos círculos. Maria passava as mãos no seu cabelo e a beijava.

- Ai tá bom pra caralho, Maria. Porra, vou gozar. Ahh...

Senti sua buceta pulsar. Os seios dela balançavam enquanto ela sentava na minha cara. Eu bebi tudo que ela jorrou. Ela desceu o corpo na minha direção e me abraçou.

Julia veio com a garrafa de champagne. Nós três demos bebericadas, enquanto riamos. 

- E quando é nosso próximo encontro?

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