Contos para devorar em sequência

Conto 1 | Me Ensine

Eu estava no último ano do meu mestrado. A aula dele era optativa. Não era obrigatória para minha graduação. Mas naquele semestre, foi a aula dele que me deixou mais impressionada. Ele apareceu na sala mais cedo para rever suas anotações e preparar  a aula. Seus sapatos estavam sempre impecáveis. Era óbvio como ele amava o que fazia. Toda vez que ele ficava empolgado com a matéria da aula, eu sentia toda aquela paixão, inclinava com atenção, mordia a caneta que tinha na minha boca. Queria ser uma professora como ele um dia. Esse era meu objetivo. 

E então, ele me deu um banho de água fria - nota baixa em uma prova. Logo na prova dele! Disse que meu argumento deveria estar mais redondo - não estava claro. Naquela semana, fui para a sua sala decidida a tentar convencê-lo de melhorar minha nota. Quando entrei na sala, ele estava lá, com seus pés na mesa, concentrado ao escrever - provavelmente seu novo livro. Fiquei desconcertada - é muito íntimo interromper alguém enquanto está gerando uma nova ideia. 

- Ah! Oi Nicole. 

Ele rapidamente arrumou seu cabelo desalinhado e falou para eu sentar na cadeira a frente de sua mesa. Depois de um papinho leve, ele me perguntou o que eu achava de uma parte específica do seu livro. Ele balançava a cabeça enquanto eu falava - parecia que ele gostava do que estava falando, e anotava em um algum bloco esquecido da sua mesa. Esse era o tipo de conversa que você tinha e pensava depois nela por dias a fio, onde você repensa nos argumentos que falou naquele dia várias vezes dentro da cabeça.

Eu voltei na semana seguinte. E na outra semana. Toda vez eu notava que tinha algo sobre ele que me encantava. Nas semanas passadas notei que ele tinha cílios excepcionalmente longos atrás dos óculos e como era uma delícia quando ele arregaçava suas mangas e esticava os braços quando estava cansado. Ele sempre sorria quando eu falava de algum livro que ele não tinha lido. Aposto que passava na cabeça dele: "Quem é essa mulher?"

Eu amava o jeito que ele não concordava comigo, mas nunca levantava a voz, só me fazia perguntas com calma para tentar me mostrar o furo do meu pensamento. Ele era diferente de todos os professores que tive. 

Acabou as férias e novas aulas começaram. Eu senti uma sensação de perda esquisita. Eu não o via mais pelo campus da faculdade. E ele tinha aquele jeitinho de entrar na minha cabeça nos momentos mais inoportunos. Eu tentava tirar ele da minha cabeça. Mas não adiantava: todo cara alto com uma bolsa de couro transpassada já achava que era ele. 

Eu me convenci que provavelmente existia algum tipo de regra da faculdade que bania o relacionamento entre nós - devia ser esse o motivo do sumiço. Comecei a me sentir meio sem graça e pensar que tudo o que rolou entre a gente foi uma viagem na minha cabeça - talvez ele seja apenas um professor muito legal e conversava assim com todos os seus estudantes. 

Até que finalmente defendi minha tese. Quando eu saí daquela sala de aula me senti livre, não sei nem como descrever! Eu andei pelo campus com um sorriso tão grande que quase caia do meu rosto. E então passei no Edifício Edgar, o prédio que ele dava aula e tive uma vontade enorme de dividir as boas notícias com ele antes de contar para qualquer outra pessoa. Eu entrei no elevador, esperei o sétimo andar, e abri a velha porta da sala de aula. Lá estava ele, dando aula para os alunos de graduação.

Como estava escuro, sentei quieta no meu canto sem ele notar. Ele estava concentrado na sua linha de raciocínio, tentando nos convencer do que estava falando. Eu comecei a sonhar acordada, pensando no meu sonho de ser professora e nas minhas futuras aulas.

As luzes acenderam e acordei do meu sonho. Ele deve ter acabado de fazer uma pergunta porque ele está olhando para a sala e todo mundo está com aquela cara de "não é comigo".

- Ninguém? Vamos lá gente. Vocês sabem isso.

Ele me viu, prendeu seu olhar no meu e eu tentei não sorrir. Resolvi responder:

- É social e econômico. 

- É exatamente isso. 

Ele me deu aquele olhar com olhos brilhando e dessa vez, eu sorri de volta. A aula acabou e eu fui para a frente, onde os alunos estavam saindo de suas mesas. As suas costas estavam na minha frente enquanto levantava o velho quadro negro. Meus olhos escanearam o seu corpo. Não dava para ignorar aquelas calças apertadas e aquela bunda perfeita. 

- Oi!

- Oi Nicole. É bom te ver de novo. Tá tudo bem?

- Tudo. Vim te falar que defendi minha tese essa manhã! - contei, nervosa - E...

- Ah! Sim. Eu sabia que isso estava acontecendo por agora. Parabéns! Eu não estou surpreso por te oferecerem a bolsa. 

Ri, sem graça. Ele era muito gente boa mesmo. 

- Você tem um tempinho para a gente se falar? Eu adoraria saber como está indo o livro. E... - perguntei, tímida, ao mesmo tempo que ele ia falar algo. Rimos. 

- Sim! Claro! Adoraria. Só vamos ali na minha sala rapidinho. Tenho que deixar algumas coisas lá. 

- Sim! Vamos. 

Quando entramos, ele deixou sua bolsa de couro e suas anotações da aula na mesa e começou a organizar suas coisas. As luzes estavam baixas, a não ser pela forte luz do sol que entrava entre as persianas pesadas da sala. Ele parecia estar lutando com o desejo de me olhar diretamente nos olhos. Como se ele não quisesse conversar imediatamente. Eu amava ver ele se organizar rápido para dar atenção total pra mim. 

- Pronto, acabei de ajeitar aqui. Pronta pra ir? 

- Podemos falar aqui mesmo? - não resisti à pergunta.

- Tá. Não, sim, claro - ele concordou, sem graça. 

Eu sentei na minha cadeira conhecida na frente da mesa dele e ele pegou uma que estava do meu lado. Eu pensei na hora: "Vai ver que ele não quer passar a imagem de professor agora". Comecei a contar que na semana passada tinha descoberto que tinha ganhado a bolsa de doutorado. - Bom, eu tive bons professores e...

- Não. Você conseguiu tudo isso sozinha. - ele disse com sua voz baixa. 

Pela primeira vez considerei que ele tinha tanto tesão na minha mente quanto eu tinha na dele. 

- Mas e você? Me conta? - perguntei. Ele levantou e começou a falar, quando sentou na mesa na nossa frente:

- No começo do semestre, eu estava com um bloqueio no meu livro. Eu pensei em falar contigo, mas não queria que você se sentisse estranha com isso ou algo do gênero. Aí não sei, fiquei sem graça de falar. Mas talvez isso tenha sido sem noção da minha parte. 

- Não, não foi sem noção. Eu achei que era isso. - concordei. 

- Se eu for completamente honesto, eu senti muito sua falta. - ele disse, com cuidado. 

Senti um nervoso quase adolescente, e falei:

- Eu também senti sua falta. 

Ele olhou nos meus olhos e inclinou para frente. Como se estivesse na frente de um limite e não quisesse cruzar. Mas eu cruzei.

Cheguei perto dele, coloquei minhas mãos na suas coxas e beijei ele na boca, suavemente. Os beijos dele eram mais selvagens, com fome, e eu empurrava suavemente para criar mais espaço entre nossos lábios. 

- E a porta, devemos trancar? - perguntei, ainda com alguma sanidade na cabeça

- Eu não me importo - ele disse, entre beijos.

Dei uma risada baixa e disse:

- Sim, se importa sim. 

Ele foi muito rápido: mal me separei dos seus lábios, escutei a porta trancando. Eu estava na mesa inclinada. Eu só senti seu cheiro enquanto ele empurrava seu corpo contra o meu, me levantando e me deixando em cima da mesa. 

- Nós temos que ficar quietos - eu disse, ofegante de tanto tesão. A essa altura, estava completamente molhada. - Eu ainda tenho que pegar o diploma. 

Demos uma risada.

- Tudo bem. - ele disse, levando minhas pernas na sua cintura e pressionando seu corpo contra o meu. Eu me segurei nele enquanto ele tirava seus óculos. Ele pressionou sua ereção no meu corpo e puxou minha saia para cima, colocando suas enormes mãos por debaixo da minha calcinha. 

- Nossa, como você tá molhada.

Eu estava amando demais aquilo. 

- Comecei a ficar molhada desde a sua primeira aula.

Ele riu, malicioso, enquanto me tocava:

- É isso que você quer? Quer que eu te dê uma aula?

- E como você sabe o que eu gosto? Como você vai saber como eu gosto de ser tocada? 

- Me fale como você gosta. 

Eu deitei sobre meus cotovelos enquanto ele tirava lentamente minha calcinha até meus tornozelos. E ele enfiou seus dedos lá dentro. Devagar e suavemente. 

- Você é muito gostosa. - ele falava, com sua voz já rouca.

Eu ensinava como gostava de ser tocada, enquanto suspirava. Não conseguia conter mais meus gemidos: 

- Vai mais fundo. Isso, mais devagar. Ah! Isso, não para. 

- E assim? - Ele disse, indo mais rápido com os dedos

Parecia que eu estava assistindo a minha própria fantasia. Ele beijando meus lábios. Eu com minha cabeça jogada para trás olhando para ele ir mais fundo a cada dedada. Ele me jogando em cima dos seus cadernos de anotações. Os estudantes andando para a sala de aula sem a menor ideia do quão bom ele era em me foder com seus dedos.

Não aguentei muito e gozei ali mesmo: 

- Aí mesmo, continua. Trêmula, contente olhei para ele e pedi: 

- Tire suas calças.

Ele pegou no seu bolso de trás uma camisinha, abriu suas calças rapidamente e afrouxou sua gravata, a puxando para o lado. Ele pegou a parte de trás das minhas pernas e colocou meus tornozelos nos seus ombros. Colocou a camisinha e esfregou o pau em cima da glande do meu clitóris até a entrada da minha vagina, espalhando lubrificação em toda minha vulva.

- Temos que ficar quietos. Pode ter alguém escutando - falou rouco no meu ouvido. 

Eu não conseguia mais me conter. Ele me penetrou e eu na hora amassei os papéis debaixo da minha mão. Ele começou a enfiar bem lento no início, e tirava o pau mais lento ainda. 

- Continue me falando o que você quer. Eu amo quando você me diz o que quer. - ele sussurrou. 

Continuei: - Isso vai mais rápido aí. Esfrega o meu clitóris. Não para. 

Ele foi indo mais forte, mais forte e mais forte, olhando nos meus olhos, meus tornozelos já suando nos seus ombros, sua camisa mostrando seu peitoral e mamilos. 

Eu não estava aguentando mais tanto tesão. Ia crescendo, crescendo e minha voz ia ficando mais alta. Comecei a gemer alto.

E falou no meu ouvido - Não grita. 

Eu já estava gozando. Tudo estava quente e tinha perdido controle, apenas sentia aquela imensa onda de prazer: - Goza dentro de mim. E ele veio junto. 

Acalmamos nossas respirações. Eu amava como suas pernas e corpo estavam por cima de mim. Seu rosto descansando no meu peito. 

- Isso foi o que você achou que poderia ter acontecido? - disse, rindo. 

Ah, você nem imagina, professor. 

(Veja a continuação do Conto Me Ensine)

Tradução livre de podcast publicado originalmente no Dipsea. Escute o áudio original.

 

Conto 2 | Cinco Anos

Eu fiz as malas e joguei dentro do carro, antes que qualquer hesitação surgisse dentro da minha cabeça. Uma hora depois, já estava na estrada saindo do Rio para Búzios. Estava escuro na hora que saí, apenas enxergava as linhas brancas da estrada e a lua enorme, iluminando a noite. Parecia que estava sozinha com a lua. Sozinha no carro, meus pensamentos se repetiam. Comecei a ficar cansada. Liguei o rádio. 

Não importava a estação que ligava, as mesmas memórias surgiam. 

- Não é tão simples assim. Eu nunca pensei que quando fossemos entrar nessa juntos nós iríamos montar um negócio. Claramente, eu não pensei que isso iria acontecer. Se eu pudesse, não teria feito isso. Se eu pudesse saber o que ia acontecer... - ele disse, já entregando os pontos. 

- Sabe, Pedro, eu sempre achei que a gente ia acabar tudo de alguma forma. Foi por isso que comecei a ficar com você. 

- Mas eu achei que quando isso acontecesse, eu iria ter certeza disso. - eu podia ver as lágrimas se formarem em seus olhos. 

- Eu tenho certeza do que quero. Mas você tá me confundindo depois dessa conversa. Eu não falei que iria ser simples. 

- Eu não sei - ele falou, resignado. 

De repente, o celular tocou, distraindo minha lembrança - que alívio. Era Gabi, minha amiga que estava me emprestando a casa dela de praia pra dar aquele descanso mental. 

- Oi! Você tá no meio do caminho? 

- Oi, tô sim! Acabei de sair da Dutra. 

- Nossa, que rápida! Pensei que você não viria!

- Você sabe que eu odeio tirar um tempo pra mim. Mas acho que vai ser bom. 

- Sim! Talvez te dê um espaço para pensar melhor. Você passou por muita coisa. Todos nós passamos. Tá tudo bem. Mas olha, escuta... - vi que ela ia começar falar dele e a interrompi. 

- Não, tá tudo bem... Não é que não quero mais falar do Pedro. Tipo, eu não sei nem mais o que falar dele. Tá cansativo. 

- Sim... 

- Apenas aconteceu e a merda tá feita, entende? Você tá sendo muito legal comigo. Passei por tanta coisa. Tá muito recente, sabe? Eu tô tentando manter as coisas tranquilas no trabalho. Você sabe como funciono. Odeio treta desnecessária. 

- Você ainda tá dividindo os clientes com ele?

- Putz, cara. Eu nem sei mais. Eu quero começar a trabalhar sozinha. Mas não sei. Preciso de um tempo para pensar. 

- Eu acho que a casa vai te ajudar muito com isso. Você pode andar na praia todo dia. Sair da loucura do trabalho. Começar a fazer joias recicladas, sabe?Começamos a rir. Gabi sabia exatamente como quebrar o clima. 

- Garota, no dia que você me pegar vendendo miçanga e fazendo colar de concha, faz uma intervenção!

- Haha. Mas então. A porta vai estar aberta quando você chegar. 

- Você tá deixando sua casa na praia aberta? Quê?

- Na verdade, o Felipe tá lá. 

- Quê?! O Felipe?? - ah pronto, pensei.

- Sim... mas ele vai ficar lá por poucos dias. Ele vai te dar privacidade. Prometo. Eu não sei se você viu aquela resenha horrível do restaurante dele, mas ele respondeu. Nossa, deu a maior confusão. Ele precisou também de um lugar pra relaxar.

- Então nós dois vamos virar dois fantasmas tristes se assustando naquela casa linda. - tive que fazer graça

- Garota, para com isso. Você já já vai estar ótima. - ela disse, rindo.

- Claro, tô pronta e ótima pra fazer novos amigos. - o sarcasmo era mais forte que eu. - Opa, peraí que parece que tenho que virar aqui. Acho que tô chegando. 

- Me avisa quando estiver chegando! 

- Aviso! Beijo.

Meu farol baixo iluminava as pedrinhas ao entorno da casa - com aquela arquitetura incrível que a Gabi fazia questão de decorar as suas casas. Dava pra ver a piscina infinita e escutar o barulho do mar, mesmo no escuro. Isso era outro nível de luxo. Tudo que precisava.

Peguei minha mala no porta-malas e fui para a casa, abrindo a porta. 

- Olá?

Eu andei pelo corredor de paredes brancas com várias fotos em preto e brancas. O cheiro era de tinta fresca. Mas lá no fundo sentia um cheiro delicioso de alecrim. Eu fiquei curiosa. Me dei conta que tava doida pra conversar com alguém. Parecia que eu tava tendo conversas imensas comigo na minha cabeça por semanas, mesmo quando eu estava em silêncio. Escutei o barulho do refogado da panela e uma música ambiente no fundo. Aí estava ele. 

- Oi! - cumprimentei, meio sem jeito.

- Opa! Oi! 

- Desculpa! Eu não queria te assustar. Tava tentando me achar nessa casa enorme.

- Eu sabia que você ia chegar hoje, mas eu meio que não vi o tempo passar cozinhando aqui - ele colocou o pano de prato no ombro e foi me dar dois beijinhos. 

- Prazer, Felipe!

- Prazer, Sofia - respondi. 

- Como você veio parar aqui? 

- Ah, eu tava procurando passar um tempo fora da cidade. E a Gabi me ofereceu esse espaço.

Eu não sou uma pessoa tímida, mas também não sou o tipo de pessoa que conta toda sua vida na primeira vez que conhece uma pessoa. Tenho meus motivos. Não sou uma pessoa de papos curtos e superficiais. Mas ele não insistiu no papo. Foi bem respeitoso, fluiu. Talvez eu estivesse imaginando coisas, mas quando eu instintivamente coloquei meus braços nos meus ombros, a voz dele ficou mais baixa. Parecia que toda vez que eu me protegia ele tentava me acalmar. 

- Olha, eu não quero ser grossa nem nada do tipo, mas eu vim pra cá pra ficar sozinha e pensar em algumas coisas, então acho que vou entrando pra arrumar minhas coisas.

- Tudo bem. Se decidir que quer companhia, qualquer coisa tô aqui na sala. Boa noite! 

- Boa noite! 

Eu acordei tarde. A casa estava quieta. Pensei na hora: Felipe deve ter dormido a mais também. Mas quando eu abri a geladeira, tinha dois pratos prontos com uma cara ótima e um bilhete: “Sobras de ontem. Espero que goste!”. 

Liguei a chaleira com a água quente para passar o café, sentei na mesa gigante perto da janela e tirei o plástico em cima da comida. A cada mordida, minha mente viajava. Comecei a imaginar o Felipe pequeno na frente do fogão. A mão da sua tia na dele mexendo a comida com uma colher de pau. Pareceu muito íntimo pensar nele como criança. Especialmente porque não nos conhecemos. Tipo, eu já vi ele dando entrevistas, ele era um chef famoso. Eu sabia que ele se achava. Provavelmente era arrogante. Eu esperava que sua comida fosse, sei lá, preciosa, intocável. Mas o que estava comendo era caseiro, era familiar. 

Abri a varanda para ver a vista do mar. 

- Nossa! Tá frio. 

- Bom dia. 

- Ah oi! Bom dia. 

- Toma, café. Já tava fervendo.

Ele me deu um copo com café e puxou uma cadeira no deck de madeira - paralelo aonde estava, a alguns passos de distância. 

Estávamos a sós. Completamente quietos, a não ser o som do mar e as gaivotas no fundo. Eu comecei a passar a mão nas minhas tranças, tentando olhar para ele sem que ele percebesse. Mas assim que meus olhos pousaram em seu rosto, vi o canto da sua boca se curvar para cima, só um pouquinho. 

Como se ele estivesse guardando um segredo. 

Eu olhei pra frente rápido. ‘Ai meu Deus, ele tá olhando pra mim também?’. Eu senti uma pergunta surgindo na minha cabeça. Mas quando eu fui perguntar, ele levantou. 

Foi assim por alguns dias. Ele fazia como se fosse me perguntar algo e aí saia de perto. Era como se ele estivesse lembrando da regra que eu impus e eu lembrasse que não tinha jeito de não quebrar. A gente não falou nada um com o outro até um dia particularmente chuvoso. Eu entrei em um café na cidade para ter um pouco de espaço, mas o lugar tava lotado. 

- Sofia!

- Ah oi! O que você tá fazendo aqui?

- Posso sentar?

- Claro, senta aí.

- Tá um pouco apertado, deixa eu ir pra lá

- Ah, obrigada.

Eu bebi um gole do meu café e olhei para longe dele. Quando olhei, vi uma mulher virar rápido como ela estivesse nos observando. Eu percebi que as pessoas não estavam olhando pra gente ou pra mim. Elas queriam vê-lo. 

- É sempre assim?

- Tô acostumado. 

- Sério?

- É, tipo, é esquisito, mas acho que acostumei. Sempre tem pessoas ao meu redor. Mas são poucas que confio.

Dei uma risada. 

- É, devo me considerar sortuda por poder sentar com você.

- Ok. Soou errado e narcisista. Eu não quis dizer daquele jeito.

- Eu sei como é. Eu tinha muitos amigos falsos no trabalho. Eu tive que esperar eles irem embora. 

Ele sorria para mim enquanto conversávamos. Como se ele tivesse um segredo esperando para ser contado. Assim que eu parava de falar, ele me fazia uma pergunta. Geralmente eu não consigo baixar a guarda com as pessoas. Como se tivessem testes e marcos antes de eu falar tudo. Mas com ele, não existia nenhum teste, nenhuma prova. Ele pulou tudo. Eu sentia que, embora pudesse estar revelando muita coisa, era difícil de parar. Como seu tivesse tirado o freio e estivesse descendo uma ladeira rápido de encontro a ele. 

- Oi, nós gostaríamos de avisar que estamos fechando - a garçonete apareceu, nos assustando.

- Opa! Sim claro - respondemos, rindo e sem graça. Não vimos o tempo passar. 

Pagamos e levantamos. Tentei ir na frente. Ele disse que me acompanhava. “É entediante ir a pé sozinho”. Concordei. Entrei no carro.

O silêncio entre nós veio de volta, mas não era mais confortável. Eu comecei a olhar pro meu celular procurando uma distração. Eu nem me toquei que tava fazendo isso. 

- Você tá esperando uma mensagem ou algo do tipo? 

- Por que?

- Você não para de olhar para seu celular. 

- Ah! Não. Meu celular é carente. Ah! Olha a esquina da casa ali na frente. 

Ele parou o carro, mas nenhum de nós se moveu. Meu coração começou a acelerar, como um tambor. Tão alto que eu jurava que ele conseguia escutar. 

Ele me beijou. Rápido, com sede, com vontade. Eu na mesma intensidade. 

- Para. Não consigo mais.

- O que?

- Eu não consigo explicar. Mas não consigo fazer isso agora.

Veja a continuação do Conto Cinco Anos

Tradução livre de podcast publicado originalmente no Dipsea. Escute o áudio original.

 

Conto 3 | Amigos com Benefícios

Era dia de tomar uns bons drinks com o Dan, meu amigo confidente e ex-colega de quarto, 100% sem filtros.

- Eu achei que você e o Miguel não estavam mais juntos. Ele não é uma merda na cama?
- Haha, para de ser estúpido Dan. Ele é um cara legal.
- É, mas ser legal nunca vez ninguém gozar...
- Não que era ruim, ruim. Mas era uma amizade colorida que definitivamente deveria ser mais colorida. Ter mais benefícios.
- Um brinde aos benefícios. E que tipo de benefícios estamos falando? "Eu preciso de umas bolsas Gucci..."
- Hahaha, nada disso. Eu queria umas coisas mais quentes e ele não tava entendendo que eu tava querendo apimentar. Tipo, queria que ele me chamasse de nomes ou me desse uns tapinhas, sabe?
- Ah, sim.
- Ele era meio robótico. Tipo, como se ele estivesse seguindo um roteiro de um filme pornô amador.
- Então por que você saiu com ele?
- Bom, ele é alto.
- Hahaha, ótimo motivo.
- Mas sério. Eu gostei de como ele é espontâneo e autêntico.
- Como assim?
- Por exemplo, ele adora fazer umas coisas bizarras. Tipo, ele pegou uma balsa um dia só por pegar e acabou parando em um bar com karaokê de meia idade. Sim, eu sei que é bizarro, mas eu curti ele ser meio esquisitão.
- Eu te entendo. Teve uma vez que eu tava saindo com um personal trainer e ele me chamou pra um stand up que ele estava apresentando. Foi uma merda, mas foi tão ruim que eu amei.

Quase engasgamos. É, não é só a mulher hétero que sofre.

- Então, você acha que vocês vão se encontrar de novo?
- Hm, acho que sim, nós sentimos algo um pelo outro. Mas nós estamos meio empacados porque ele vai mudar pra outra cidade no fim do verão...
- Putz, que péssimo. Como se fosse muito cedo pra namorar mas também muito cedo pra ter sentimentos um pelo outro...
- É! Exatamente.
- Às vezes você só precisa de um tempo, amiga.
- Vamos ver. Ele vai vir aqui hoje.
- É assim que você me expulsa daqui, hahaha?
- Sim, lógico. Acabamos de acabar uma garrafa de vinho.
- Você é péssima!

Quando o Dan foi embora, coloquei uma música alta dos anos 80 pra me animar acabar de colocar a minha casa no lugar. Ainda faltava muito pra arrumar... De repente, escutei o interfone. Merda.

- Oi!
- Ah! Oi!
- Qual foi essa música ruim?
- Hahaha, eu tava tentando me animar pra acabar de arrumar...
- Sei. "80% da estante de livro pronta". Hahaha, isso é sua cara.
- Eventualmente fica no lugar. Você conhece meu TOC.
- Esse lugar parece muito vazio sem o Dan deitado no sofá.
- Eu sei! Ele era melhor coisa dessa casa. Eu vou ali no banheiro rapidinho mas nós podemos ir para o bar ali na esquina.
- Tá ótimo.

Quando voltei, lá estava ele com o martelo e os parafusos na mão acabando a estante.

- Ei, o que você está fazendo?
- Não consegui me segurar.
- Haha, é fofo da sua parte. Mas você não precisava.
- Não, tá tudo bem.
- Posso ao menos pegar uma cerveja pra você? Tá muito quente aqui dentro.
- Ah, por favor.

Mais tarde, estávamos no jardim conversando.

- Você quase ser expulso do casamento que eu estava cantando não é exatamente apoiar minha arte - disse rindo.
- Olha, aquele segurança era muito apaixonado pelo o que fazia. Tenho que respeitar.
- Bom, você tentou. - ele era muito fofo

Olhei pra ele e seus olhos azuis brilhavam na noite. Nos beijamos.

- Eu queria te beijar de novo.
- Eu também.

As coisas começaram a esquentar e resolvi ser honesta e aberta com o que aconteceu, antes que a noite pudesse desandar.

- Olha, eu queria te falar que eu sei que pedi umas coisas coisas aquela noite que talvez você não quisesse ou ficasse confortável. Eu não quis ser esquisita, sei lá.
- Não, não. Eu só estava meio tímido. Eu não sabia o que tava rolando entre a gente. Então fiquei meio surpreso.
- Sim...
- Você quer me dar outra chance?
- Outra chance?
- Sim. Foda-se o bar. Quero te vendar.
- Tá bom?!
- Sim, vamos. Eu sonhei em fazer isso com você. - ele falava enquanto colocava o tecido na frente dos meus olhos e me levava pro quarto.

Não ver nada deixou meus outros sentidos muito mais aguçados. Eu conseguia sentir o vento na minha nuca, seus dedos, seus beijos, tudo mais claro.

- Isso tá muito gostoso...
- Ótimo.

Ele beijava meu pescoço e ia desabotoando minha camisa.

- Eu amo essa parte aqui em cima do seu umbigo. Porra. Você acabou de se depilar?
- Sim...
- Tão macia... quero esfregar minha cara toda aí.
- Tira os meus shorts, vai...
- Vendada e ainda por cima dando as ordens...
- Haha, mas eu gosto quando você dá as ordens.
- Você gosta de não saber aonde eu vou te beijar em seguida.
- Sim... Hm...

A essa altura eu estava encharcada.
- Vou colocar meus dedos no seu clitóris. Assim. - não conseguia mais me conter e comecei a gemer alto. Ele sabia o que estava fazendo.
- Ai, você não pode me comer agora? Eu quero te sentir...
- Não. Ainda não.

Senti seus passos pelo quarto e o barulho do zíper abrindo.

- Aonde você está?
- Estou no final da cama.
- O que você está fazendo?
- To me masturbando te vendo, sua gostosa.
- Eu te deixo excitado?
- Demais. Eu amo seus peitos. Sua bunda. Eu sonho com você sempre que não estamos juntos.
- Isso, continua a falar...
- Eu vou te fuder até você gritar.
- Sobe logo em cima de mim...

Ele não esperou duas vezes. Senti ele subir e me penetrar. Gememos juntos.

- Continua a falar...
- Como você é apertada. Eu sonho com você toda noite, meu pau dentro de você bem fundo. Como você é diferente.
Ele continuava com o ritmo intenso. Eu já estava chegando a um ponto onde não tinha mais retorno.
- Goza comigo. Vai... Vou te comer todos os dias desse jeito.

Chegamos ao ápice juntos. Abraçados, nos olhamos e rimos.
Teria que dar um novo relatório pro Dan...

Veja a continuação do Amizade com Benefícios

Tradução livre de podcast publicado originalmente no Dipsea. Escute o áudio original. 

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