Contos para ler em sequência

Conto 1 | Sessão de Terapia

Eu sentei em um sofá recamier de veludo na frente dela, esperando que ela olhasse para o notebook em sua frente para que eu pudesse dar uma olhada em seu corpo. Eu estava fissurada nela. O jeito que o salto grosso de couro cortava a luz do sol que vinha da janela, ou como ela lambia o dedo antes de virar uma página de seu caderno de anotações, ou como ela girava o relógio em seu pulso. Eu ficava pensando se eram hábitos dela, no que ela devia estar pensando. 

- Como foi essa semana?

- Olha, foi meio sem graça. 

Eu tinha acabado com minha ex alguns meses atrás e as coisas terminaram mal. Depois disso, comecei a procurar um terapeuta. Eu não achava que era uma coisa essencial, procurei porque via as pessoas procurando terapeutas depois que acabavam relacionamentos. Sei lá, parecia algo que eu deveria fazer.

Essa é minha terceira sessão com a Joana. Eu estava meio relutante nas minhas respostas, não porque eu estava escondendo algo, mas porque eu gostava de revelar as coisas aos poucos. Eu estava mais interessada em saber mais sobre ela. O modus operandi era ficar imóvel. E quando ela movia, era algo pensado. A intensidade dela me desarma. As três vezes que a encontrei, ela usava uma blusa de botão dentro das calças. Eu via entre os vão da blusa seu abdômen definido. 

Depois da minha segunda sessão de terapia, tive um sonho com ela. Eu não lembro de quase nada do sonho. Mas lembro o final: enquanto eu olhava para ela, ela colocava o seu salto no meu pescoço e pressionava gentilmente. Eu acordei com a minha mão no pescoço, e marquei uma sessão para o mesmo dia.

- Você acha que vai encontrar ela de novo? - ela disse, se referindo a minha ex.

- É... não sei. 

- Porque não?

- Você acha que deveria?

- Ah, essa não é uma coisa que posso responder por você. O que você acha?

- Bom, ela era até legal. Diferente do que eu estava acostumada, pelo menos.

- Como assim? 

- A Teresa era aquela pessoa que vivia o momento, sabe?  Mas era demais. Tipo, ela tava pronto pra te chamar pra uma viagem de longa depois do terceiro encontro. Dava aquela sufocada. 

Ela virava o relógio no pulso. Escrevia algumas coisas. Me olhava em silêncio.

- Você ainda fala com sua ex? - ela falou, com aquela voz mais grave e elegante.

- Porque você pergunta isso?

- O quê? sobre ligar pra ex?

- Não, pergunta sobre ela.

- Bom, você falou dela em todas as sessões. Ela ainda é algo que permanece em sua vida, de alguma forma.

- É...  bom, ela me manda mensagem. Ela é apegada... isso sempre foi brochante. Eu gosto quando tenho um pouco de joguinho, sabe? Mas gosto de saber que ela ainda pensa em mim. Isso é normal, né?

- Você sente falta dela?

- Ah, eu tento não pensar desse jeito.... ai não sei. Acho que sim, sinto falta. 

- O que você sente falta nela?

- O pragmatismo dela. Ela sempre tinha razão pra tudo. E dos peitos dela. 

Rimos juntas. A risada dela parecia ser uma pequena brecha, uma janela acidental que se abriu para mim. Talvez ela me achasse engraçada. Talvez ela não conseguisse resistir a reação, mesmo que o trabalho dela fosse ficar neutra. 

- Ontem a mulher que fiquei me mostrou fotos dela fumando maconha. Mas tipo, de uma maneira performática. Foi esquisito. Ela ficava me perguntando o que minha tatuagem significava. E ela me mandou uma mensagem pra falar que curtiu o nosso momento juntas... Você acha que eu só gosto de mulheres mais aventureiras? 

- Você acha isso?

- Haha. Eu acho agora...

- Mas você já considerou isso antes?

- Não com essas palavras. Eu curtia gente que curtia diversão. Nada sério.

- Bom, se divertir é legal.

Ela coçava seu pescoço, abrindo o colarinho da blusa de lado. Eu podia ver a junção do seu ombro com pescoço. O sutiã preto apertado contra a pele. Me ajeitei no sofá. 

- Você já sacou o que tem de errado comigo?

- ...

- Esse silêncio significa que é ruim, né? Porra, tô ferrada.

- Eu não acho nada disso, Rose. Eu não te conheço tão bem assim, mas não acho que você está ferrada. Eu só acho que você não veio aqui para ser analisada. Você veio aqui para me ver.

Eu belisquei a pele em cima do meu joelho através do buraco do meu jeans. Me acalmou um pouco.

- Vamos dizer que eu estou aqui para te ver. O que isso quer dizer sobre mim? 

- Como te disse, não te conheço tão bem assim.  

- Eu já pensei em te beijar. 

- Eu diria que já sei disso.

Eu mudei de posição e a minha bunda estava praticamente fora do sofá. Ela fez o contrário: sentou-se calmamente em sua cadeira. Fechou o laptop em sua frente. Eu decidi levantar. Ela não disse para eu parar. Eu coloquei minhas mãos no entorno da sua cadeira e me inclinei até que conseguisse sentir o perfume debaixo de seu queixo. Eu a beijei gentilmente. Ela hesitou. Como se ela tivesse sido atingida por uma onda e se tocasse do que aconteceu. 

- Você não pode fazer isso - ela disse, com a voz mais rouca que o habitual.

- Então tente me parar.

Ela levantou. Minha testa estava no nível de seus lábios. Ela me fazia me sentir pequena, olhando para baixo em cima de seus saltos. Eu beijei ela de novo, de língua, mais forte, mais insistente. 

- Tire sua blusa - falei, sussurrando.

- Você tira primeiro. 

Depois disso foi caos completo. Nós nos agarramos como se estivéssemos famintas, focadas apenas uma na outra. De alguma forma, me encontrei completamente nua.

- Você gosta de sentir isso.

- Isso o que?

- De sentir que você está fazendo coisas que não deveria estar fazendo.

Ela gentilmente pressionou a mão no meu ombro, me fazendo ficar de joelhos e usou a mesma mão para levantar meu queixo. Eu olhei para cima sem mexer a cabeça. 

- A partir de agora você só assiste. - ela disse.

Ela tirou o cinto de couro e suas calças lentamente, antes de tirar a calcinha de renda na minha frente. 

- Você veio aqui para me ver.

- Sim, sim...

- Então chegue mais perto.

Ela se inclinou na mesa, com os quadris para frente e colocou as mãos na parte de trás da minha cabeça, me convidando para sua vulva. Não pensei duas vezes. Comecei a lamber a parte externa, os lábios, o clitóris. 

- Use a ponta da sua língua. Isso.

Ela gemia baixinho.

- Posso te contar um segredo?

- Hmmhmmm - respondi, enquanto lambia toda sua buceta. 

- Você não está ferrada. Você é uma safada. 

- Mas isso é para ser um segredo...

- Eu sei porque sou igual. 

A ideia dela me imaginando do mesmo jeito erótico que eu imaginei ela me fazia me sentir elétrica. Eu chupava ela com força, minhas mãos na sua bunda. Eu queria mostrar pra ela que valia a pena. Eu enfiei um dedo nela e comecei a deda-la devagar, usando toda sua lubrificação natural. Eu colocava a ponta da minha língua no seu clitóris acelerando quando senti seus dedos no meu couro cabeludo. Eu não parei até sentir seus gemidos mais altos e ela recuar, de tão forte que foi seu orgasmo. Ela estava recuperando o fôlego, com uma mão na sua mesa a apoiando. Olhando para mim com uma cara de incredulidade. Eu estava nos meus joelhos, sorrindo. 

- Cacete, que orgulho que tenho de ti. Agora é a sua vez. 

Ela me pegou pelo pulso até os fundos da sala e me deitou no sofá. Eu queria pegar nos seus peitos, mas ela impediu as minhas mãos, colocando-as para cima da minha cabeça.

- Agora quero te fazer gozar. 

O corpo dela estava sobre o meu. Sua paciência era implacável, de um jeito que eu amava. 

- Por favor...

- Isso. Implore. 

Ela finalmente se moveu e começou a mover seus quadris contra o meu, sua vulva na minha vulva. Os lábios dela estavam na minha mandíbula e iam até minha orelha, mordendo suavemente enquanto ela apertava meus mamilos até eles começarem a doer, de um jeito delicioso. Senti sua mão descer para meu clitóris. Conseguia sentir meu coração pulsando em meus pulsos perto dos meus ouvidos. Ondas de prazer me engoliam. Eu não conseguia pensar direito. Eu tentei mover minhas mãos.

- Não mexa.

- Desculpe...

- Faça o que eu te falo pra fazer. 

Eu gostava de testá-la. Eu queria ver o que ela fazia comigo se eu fosse longe demais. 

- Eu não acho que você consegue me fazer gozar - disse, travessa.

- Então o que é isso?

Ela ia mais rápido, pressionando meu clitóris em círculos. Queria provar o contrário. Eu só conseguia gemer, sentindo meu corpo todo quente.

- Isso, vai...

Chegamos ao ápice juntas. Começamos a acalmar nossa respiração. 

- Isso quer dizer que não podemos mais nos ver?

- É melhor não...

(Veja a continuação do Conto Sessão de Terapia)

Tradução livre de podcast publicado originalmente no Dipsea. Escute o áudio original.

Conto 2 | Londres em Chamas

- Você sabe que horas são? 

- 11:30. Vamos almoçar? 

- Vamos acabar isso...

A Brit era assim: sempre arrumava uma desculpa para fugir do trabalho em grupo. Eu queria acabar aquela merda, de uma vez por todas. Não tenho saco para procrastinação, como boa virginiana. Mas ela era uma ótima amiga: estava sempre presente comigo, em todos os momentos - e eu tentava segurar minha onda. 

Ela que me acolheu quando eu sentei pela primeira vez naquela sala fria do departamento do London College of Art. Me sentia uma brasileira estranha no ninho e não conseguiria me aproximar de ninguém. Mas foi só cair minha bolsa no chão que vi o sorriso largo de Brit enquanto me ajudava a catar meus documentos de admissão. 

Ela quebrava todos estereótipos de inglesa fria, distante: era super amigável, próxima e extrovertida. Ela achava graça conhecer uma brasileira introvertida. 

Três semanas depois, estávamos ali nós duas quebrando a cabeça para entender o movimento Op Art e apresentar um trabalho digno para o Professor Binns. Eu teclava furiosamente meu laptop tentando acabar um slide quando ela colocou sua mão sob a minha:

- Nana, honey, já deu. Vamos nos divertir um pouco. Já olhou lá pra fora?

- Já e tá o mesmo céu nublado de sempre. 

- Deixa de ser emburrada, my love! Já está escurecendo, vem que eu quero te apresentar um lugar que super vai te fazer bem. 

Na última vez que ela mandou essa acabamos em pub tomando um pint de quase dois litros e meio. 

-Não sei…

- Você me falou que é fã de The Cure, né? Deixa te contar: o lugar que eu vou te levar é onde eles tocaram pela primeira vez.

- Ok. Vamos! 

- Como preciso te convencer pra fazer tudo! 

- Mas você me ama...

20h, lá estava eu na frente do prédio da Brit com minha saia de couro preta pronta pro combate. Ela saiu da porta com um look engraçado: mesmo com o calor da noite de junho, ela estava com um sobretudo estilo Burberry. 

- Tá frio, Brit? 

-Tá calor. E daqui a pouco vai esquentar mais - ela disse, ajeitando seus cabelos azuis e dando uma piscadela. 

Pegamos o metrô e fomos de Hackney, na região leste, para Camden Town - um dos bairros mais descolados, conhecido por sua cena alternativa. Descemos na estação e Brit me levou pra uma ruela escura, o vapor saindo do bueiro naquela noite quente de verão. 

O sinal neon da boate reluzia. “Kittens”

Interessante.

- Amiga, pra onde você está me levando?

- Você confia em mim?

- Hm. Acho que sim.

- Então. Mas deixa te falar: se você não gostar, me diz na hora que a gente sai correndo dali e finge que a gente nunca veio aqui. Podemos ir em Picadilly ver Harry Potter, Mary Poppins, Matilda, sei lá. 

Pra onde ela me levou?

Isso atiçou minha curiosidade e eu entrei na sua frente, abrindo a porta acolchoada, à prova de som. Um ambiente escuro, com algumas estátuas de gatinhos douradas e pera aí… algemas penduradas?

- Brit, o quê…

Virei pra trás e ela tinha tirado o sobretudo. Um macacão de látex vinho abraçava todas as suas curvas. Dava pra ver tudo: mamilos, seus pelos pubianos, tudo. 

Meus olhos se arregalaram:

- Brit, aqui é o que eu tô pensando?

Ela pegou nas mão e disse:

- Nana, relax. Quando você tava bêbada no dia do pint, você disse que sempre curtia livros de sadomasoquismo. Eu achei engraçado, porque pra mim, isso é um lifestyle. Nada mais justo que te apresentar a Kittens, a melhor boate de BDSM de Londres. Mas se você quiser que caímos fora, friend, a hora é agora.

Eu olhei para seus olhos sinceros e sabia que podia confiar. É verdade - eu sempre quis isso. Nos meus desejos mais secretos, me imaginava amarrada, estilo shibari. Me imaginava sendo dominada por vários homens e mulheres, me prendendo e me vendando.

Só de pensar, sentia que estava ficando molhada.

Resolvi assentir com a cabeça. Qual a chance disso acontecer de novo? Quase nula. 

Vou aproveitar. 

- Eu quero isso. Mas não sei por onde começo.

- Por isso que te trouxe aqui. A Kittens tem um darkroom para bondage leve. Nada muito forte, nenhum tapa, nenhum açoite, nada disso. Você diz sua palavra de segurança e na hora que falar, todo mundo para. 

Eu disse que sim e ela deu um enorme sorriso. Depois de conversarmos com a hostess da boate, o darkroom estava pronto. Eu estava na frente da porta, ansiosa e excitada. 

Brit apareceu com uma venda de veludo. Me deu um beijo na bochecha:

- Aproveita! E lembra da sua palavra de segurança, “borboleta”! 

Senti a venda de veludo nos meus olhos e de repente, estava dentro do darkroom. 

Com os pelos da minha nuca eriçados, andava no quarto e sentia um cheiro de jasmim misturado com couro. Enquanto andava, completamente sem enxergar, sentia plumas passarem pelas minhas pernas, meus braços e ombros. 

Estava completamente arrepiada. 

Conseguia perceber que tinham dois corpos, um na minha frente e outro atrás, me envolvendo. Estiquei a mão e coloquei a mão em seios firmes, em um sutiã de couro. A pessoa de trás, com sua voz grave, se inclinou e sussurrou no meu ouvido: 

Relax, baby. 

Logo depois senti sua língua passar entre os contornos da minha orelha. Soltei um gemido, relaxando sob seu corpo, toda amolecida.

Me sentia segura. Envolvida. Não existiam problemas ali: apenas toques, plumas e sussurros gostosos. 

A mulher na minha frente se ajoelhou e senti ela levantar minha saia, enquanto o homem explorava minha nuca, orelha e ombros. 

Senti minha calcinha descendo e de repente, uma boca lambendo meus lábios da vulva. Quase caí no chão, mas os braços fortes do homem me seguravam. 

Ela lambia com força toda minha buceta: lábios, clitóris, enfiava a língua na minha vagina. E quando eu estava prestes a gozar, o homem me apoiando falou:

- Stop.

Soltei um grunhido de protesto. Foram mais três rodadas daquela tortura deliciosa com ele falando para parar e eu comecei a sentir um crescente no meu ventre - uma onda incontrolável vindo me avassalar, talvez a maior que já tinha sentido.

Na quarta vez, ele não falou nada. E eu explodi na boca e rosto dela, minhas pernas bambas e meu rosto trêmulo, quente.

O homem me pegou no colo e me carregou até um sofá. Senti minha venda sendo tirada e vi pela primeira vez a mulher que me proporcionou aquele prazer. Ela estava sorrindo. 

Thank you… - foi tudo que consegui dizer.

- Espero te ver mais vezes. 

(Veja a continuação do Conto Londres em Chamas)

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