O mito da virgindade e a perda do hímen

A virgindade é uma construção social, assim como o fetiche do hímen

Somos Lilit | O mito da virgindade

Na antiguidade, reis mandavam seus médicos e padres testarem a virgindade das noivas procurando a presença de um hímen. Imaginem a frustração dessas mulheres ao atestarem, que mesmo nunca tendo feito sexo com penetração na vida, elas não eram consideradas virgens? O pior é que a comunidade médica, por mais de 100 anos, reforçou essa ideia medieval: até hoje, acreditamos que o hímen é prova de virgindade. 

Os livros de romance, filmes e relatos perpetuam esse mito: quantas vezes já nos deparamos com nossas amigas falando da primeira vez e do sangue na cama ou daquele romance que a heroína têm sua virgindade preservada pelo homem como um prêmio? 

O que é verdade e o que é mentira quando falamos de hímen e virgindade? 

A anatomia do Hímen

Assim como nossos corpos são diversos, os himens são plurais e podem existir dos mais variados formatos, tamanhos e tipos. E podem simplesmente não existir. O hímen não é um selo. É como se fosse um elástico ou faixa de borracha - uma borda de tecido na abertura da vagina. 

Somos Lilit | Como é um Hímen

Podem existir himens em meia-lua, com franjas, com buraco no centro, com vários pequenos buracos - a diversidade é infinita, assim como as nossas vulvas. É preciso respeitar e educar os jovens para entenderem - uma vez por todas - que é apenas uma característica anatômica, que até hoje virou uma ferramenta de opressão. 

Mito #1 | A mulher sempre sangra na sua primeira vez

 

Como as ginecologistas Ellen Støkken Dahl e Nina Dølvik Brochmann afirmam na palestra do TED “A Fraude da Virgindade”, existe o mito que o hímen rompe e necessariamente, envolve sangramento vaginal no ato. “Em outras palavras, se não tem sangue nos lençóis após o ato, a mulher não era mais virgem”. 

Algumas vezes, pode sim acontecer de acontecer um leve sangramento. Varia do formato do seu hímen. Mas não é como o mito do lençol pendurado no varal para mostrar para o reino que o casamento tinha sido consumido - é algo orgânico, um pequeno sangramento. 

Clara (nome anônimo) conta que não sangrou nada no dia em que fez pela primeira vez sexo com penetração: “Foi só depois, quando fui fazer xixi, que vi um pequeno sangramento na hora de limpar. Nada demais mesmo!”

Mito #2 | Os himens desaparecem para sempre

E não é porque teve um sexo com penetração que quem tem hímen vai magicamente perdê-lo. Elástico, o hímen pode ficar intacto, dependendo da sua flexibilidade e maleabilidade. Pode ser que de andar de bicicleta, usar um absorvente interno ou  fazer exercício físico rigoroso o hímen rompa. E tudo bem! 

“O absurdo do teste de virgindade é ilustrado em um estudo feito em 36 adolescentes grávidas. Quando os médicos examinaram seus himens, conseguiram encontrar sinais claros de penetração em apenas duas entre 36 garotas. Então, a menos que você acredite em 34 casos de virgens dando à luz…”  - Ellen Støkken Dahl

O hímen não é um lacre do canal vaginal que magicamente desaparece. Ele pode ficar para sempre, ou não. Existe um tipo de hímen que se chama complacente: ele é uma película grossa e extremamente elástica, e muitas vezes, só deixa de existir se a mulher tiver um parto no normal. 

A virgindade é uma construção social

Todo ato sexual -  beijar, sexo oral, sexo anal, dedos na região genital, carícias - é sexo. O fato da penetração heterossexual ser a característica que “tira” a virgindade é uma construção social criada para oprimir as mulheres, religiosamente e socialmente. Por anos, acreditamos que somente com a introdução do pênis no canal vaginal perdemos a virgindade. E isso causou consequências desumanas para as mulheres até hoje em dia.

Como as ginecologistas relatam no vídeo, as mulheres na Indonésia são examinadas para ver se tem himens antes de ingressar no serviço militar. No Egito, depois de uma manifestação de mulheres, elas foram obrigadas a fazer “testes de virgindade” pelos militares. Não precisamos ir muito longe. Quantas vezes você já não escutou casos de conhecidas se forçaram a fazer sexo anal porque estavam se guardando para o casamento? 

Temos que acabar com essa fetichização do hímen e da construção da virgindade: as mulheres hoje pagam para reconstruir o hímen de presente para os maridos - aqui no Brasil, temos exemplos de atrizes e modelos famosas. 

É hora de entender que a única pessoa responsável pelo seu corpo e suas experiências sexuais somos nós mesmas, pessoas com vulva. Com hímen ou sem hímen. 

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