Como a ciência do desejo pode melhorar sua vida sexual

Não só nós evitamos falar sobre fantasias sexuais como sociedade, como nós evitamos estudar sobre isso. Nosso nível de conhecimento científico é surpreendentemente limitado, como conta o psicólogo Justin Lehmiller, um pesquisador do Kinsey Institute. Lehmiller passou sua carreira pesquisando sobre sexo casual, saúde sexual, e mais recentemente, fantasia sexual. O seu mais recente estudo - que durou dois anos - envolve uma pesquisa com mais de 4000 norte-americanos. O resultado é fascinante e confortante. É engraçado como a maioria de nós fantasia sobre as mesmas coisas.  

Os achados de Lehmiller foram publicados em seu novo livro, “Tell Me What You Want: The Science of Sexual Desire and How It Can Help You Improve Your Sex Life”. Armado com pesquisa, ele descreveu nossas fantasias coletivas e ajudou a interpretar o que realmente elas significam, analisando tudo - como isso se conecta com as nossas personalidades até como as nossas experiências sexuais moldam o desejo. E ele concluiu que uma das coisas que você pode fazer para sua saúde sexual é aceitar seus desejos - e falar sobre eles. 

As nossas fantasias sexuais revelam algo mais profundo sobre nós mesmos? 

As nossas fantasias tem uma conexão muito profunda com nossas experiências sexuais e nossas personalidades. Elas refletem nossas experiências sexuais, por exemplo, e atividades que aconteceram no primeiro contato sexual podem aparecer em fantasias sexuais ao longo da vida. Isso sugere que as nossas primeiras experiências ficam com a gente e carregamos elas ao longo da vida. 

As nossas fantasias também parecem estar próximas das nossas necessidades psicológicas. Então se você é uma pessoa extrovertida,  o seu desejo de conhecer e interagir com novas pessoas pode muito bem aparecer em fantasias de sexo grupal ou não monogâmicas. Se você é alguém com tendências neuróticas e não lida bem com estresse, é provável que suas fantasias sejam mais seguras e não tenham nada que possa te estressar. Pode ser que elas envolvam ambientes calmos, emocionais e românticos. 

Porque existe uma conexão forte entre a fantasia sexual e a vergonha?

Essa conexão vem muito da questão cultural. Por muito tempo, autoridades políticas e religiosas nos disseram o que era “normal” e “apropriado” quando falamos de sexo - e tudo isso era muito limitado. A maioria de nós cresceu com a mensagem que “sexo” é só penetração do pênis no canal vaginal - e que esse é um ato que só deve ocorrer um relacionamentos monogâmicos. Então não é de surpreender que muitos de nós sintamos vergonha e fiquemos sem graça quando desejamos algo diferente do que nos foi ensinado que era “normal”.

Você achou diferenças significativas entre as fantasias sexuais de homens e mulheres?

A maioria das coisas que os homens fantasiam - como ménage à trois - eram coisas que mulheres fantasiam também. 95% dos homens e 87% das mulheres disseram ter fantasias de sexo grupal e orgias. A maioria das coisas que as mulheres fantasia frequentemente - como sexo romântico e apaixonado - apareceu também nas fantasias sexuais dos homens. Mais de 80% de homens e mulheres falaram que fantasiavam com ambientes românticos, como um jantar a luz de velas ou sexo na frente de uma lareira. 

Mas tiveram algumas diferenças importantes. Homens davam mais ênfase com quem eles estavam fazendo sexo nas suas fantasias, enquanto mulheres davam ênfase no lugar que estavam fazendo sexo. 

As mulheres também tinham mais fantasias envolvendo BDSM, e homens tinham mais fantasias com tabus, como voyeurismo (espiar as pessoas fazendo sexo ou se despindo) e exibicionismo (expor a genitais para os outros). Homens tiveram também mais fantasias de gênero, como se transvestir ou imaginar como seria fazer sexo com genitais femininas. 

As nossas fantasias mudam conforme envelhecemos?

Sim, as nossas fantasias sexuais mudam conforme envelhecemos - o que eu acho pessoalmente fascinante. Eu suspeito que isso acontece porque nossas necessidades psicológicas mudam conforme envelhecemos, e as nossas fantasias se ajustam para se adequar a elas. 

Uma das grandes mudanças que eu observei com a idade envolvida foi o interesse em ménage à trois. A vontade de fazer sexo a três aumenta a partir dos 40 anos, e fica bem alta até o meio dos 50 anos, e depois começa a declinar. 

A minha hipótese é que o sexo - qualquer tipo de sexo - é algo novo para adultos jovens, porque eles ainda não tem muita experiência sexual. E conforme as pessoas ficam mais velhas e tem mais tendências a entrar em relacionamentos monogâmicos, elas começam a querer mais novidades, como sexo a três, porque as vidas sexuais caíram na rotina. Então, uma vez que as pessoas começarem a ter mudanças de saúde e as dificuldades sexuais ficarem mais comuns, a novidade sexual começa a ser menos crucial e menos prática. 

Como a pornografia age na nossa fantasia?

A pornografia reflete e muda as nossas fantasias sexuais. A minha pesquisa mostra que com frequência, a pornografia reflete os nossos desejos. 81% dos participantes disseram que eles procuram pornografia que representassem as fantasias deles como uma maneira segura de vivenciarem elas. Mas a pornografia muda sim o que nós desejamos e o que nós queremos. Por exemplo, eu descobri que o quanto mais pornografia homens héteros assistiam, maior os peitos que eles fantasiavam, e quanto mais pornografia mulheres héteros assistiam, maior a fantasia de pênis grandes.  Uma em sete pessoas disseram que a maior fantasia delas vinha direto do que elas assistiam na pornografia. Então a pornografia tem o potencial de desenvolver novos interesses sexuais. Isso não significa que você necessariamente desenvolve novos interesses toda vez que você assiste a pornografia, mas a pornografia pode mudar o que nós queremos quando começamos a ver novas coisas e pesquisar novos interesses pornográficos. 

Quais são as fantasias sexuais mais comuns? E quais são as mais diferentes? 

Existem três tipos de fantasias que quase todo mundo que respondeu a pesquisa já teve: sexo com vários parceiros (ménages e orgias), BDSM (do bondage leve até palmadas e atividades mais intensas), novidades, aventuras e variedades (novas posições, lugares ou usar vibradores).

Pesquisadores descobriram que quando homens e mulheres assistem o mesmo material erótico repetidamente, diminui a excitação com o tempo (um fenômeno conhecido como o efeito Coolidge). Para aumentar a excitação de novo, nós precisamos da dose de algo novo e excitante: e é isso que a fantasia a três proporciona. Trazer um novo parceiro, tentar uma nova atividade, ou fazer sexo em um lugar diferente pode ajudar a aumentar nossa libido quando transamos.

Menos de 3% dos participantes disseram que fantasiavam frequentemente com temas como furry (se vestir de animal para fazer sexo) ou virar um bebê adulto. 

É um fato importante se as fantasias do seu parceiro não são as mesmas que as suas? 

Tudo bem se você e seu parceiro não dividirem uma mesma fantasia porque provavelmente, vocês têm muitas fantasias em comum. Minha pesquisa diz que nós somos muito parecidos quando falamos de coisas que nos excitam. Se você e seu parceiro não tem uma coisa parecida, procure outras fantasias e interesses em comum. 

Lembre-se que você não tem que fazer todas as fantasias sexuais que você e seu parceiro tenham. Só dividir as fantasias (mesmo que vocês dois tenham fantasias diferentes) pode ser uma experiência positiva que aproxima o casal. Desejos discrepantes só vão virar um problema se um de vocês insistir em vivenciar a fantasia que o outro não quer viver. E então vocês tem que conversar se é possível ceder. Se o seu parceiro quer fazer um ménage e você não quer, você pode considerar outras maneiras de adicionar novidade na sua vida sexual que podem apimentar as coisas (exemplo: interpretação de papéis).

A maioria das pessoas realiza suas fantasias? Quais são as consequências de suprimir as nossas fantasias?

Medo e incerteza são as coisas que mais impedem. As maiores coisas que impedem os participantes envolvidos de agir é o medo dos parceiros não estarem dispostos a fazer a fantasia. 

Mais importante que traduzir a fantasia em realidade é aceitar os seus desejos. Você precisa estar bem consigo mesmo primeiro. Uma vez que você faz isso, você pode pensar em outras maneiras de dividir as fantasias com seu parceiro, uma maneira de ficar mais íntimo. 

Nós temos muitos problemas quando começamos a suprimir e evitar nossos desejos porque isso mostra que perdemos controle deles e eles começam a nos controlar. A pesquisa mostrou que suprimir pensamentos sexuais pode levar a uma preocupação obsessiva com eles que no final afeta diretamente nossa saúde mental. 

Existe algo na pesquisa que realmente te surpreendeu? 

Muita coisa! Uma das coisas foi que a fantasia sexual das mulheres era mais aventureira que a última pesquisa que fiz: a maioria das mulheres entrevistadas fantasiavam como sexo grupal e BDSM. Ao mesmo tempo, a fantasia sexual dos homens incluiu um conteúdo mais emocional que eu esperava. Tanto homens quanto mulheres, era raro para eles falarem que eles fantasiam com sexo sem nenhuma emoção. A maioria do tempo, parece que são fantasias sobre certos desejos psicológicos, como se sentir desejado, validado, ou sexualmente competente. 

Porque falar das nossas fantasias é tão difícil? Como podemos ficar melhores nisso? 

Existe muita bagagem emocional amarrada nas nossas fantasias. Muitos de nós sentimos culpa, vergonha e ficamos sem graça quando falamos dos nossos desejos. Então evitamos falar sobre eles porque temos medo de ser julgados. 

Para ficar mais confortável em dividir suas fantasias, aprenda a aceitar seus desejos. Entender a pesquisa vai expandir como você enxerga o que é "normal" no desejo sexual. Isso pode ser muito poderoso (e libertador) aprender que seus desejos não são estranhos, esquisitos ou tão loucos como você pensavam que fossem.  

E quando falamos em realmente dividir seus desejos, tente não dividir tudo de uma vez. Comece devagar e vá devagar. Comece com desejos menos aventureiros. Isso vai ter ajudar a ficar mais confortável em falar sobre sexo no geral, enquanto também vai aumentar a confiança e intimidade no seu relacionamento. 

Entrevista com Justin LehmillerTradução livre de artigo publicado originalmente no Goop. Leia o artigo original.

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1 comentário

Gostei muito desse conteúdo…gostaria que falasse também sobre o sexo oral.

Edeilza 27 janeiro, 2021

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