Como aprendi a ter orgasmos com um parceiro

Eu nunca tive problemas para gozar sozinha, mas foi necessário um extensivo trabalho para tirar a ideia que pedir o que queria para meu parceiro me faria virar uma pessoa muito exigente sexualmente. 

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No começo dos meus 20 anos, eu tinha uma amizade colorida. Uma noite, estávamos transando, mas eu não conseguia chegar perto de um orgasmo. Parte do problema era que ele estava enfiando os seus dedos no estilo vai e vem no meu canal vaginal - o que é legal - mas eu nunca gozei dessa forma na minha vida. Eu pensei em falar para ele o que eu fazia para gozar - tocar meu clitóris - mas eu paralisei. A ideia de eu estar corrigindo ele me deu uma onda de ansiedade. Na verdade, eu não sabia nem se aquilo iria funcionar. Nunca tinha tido orgasmo com alguém junto. A pressão era muito alta. 

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Quando comecei a me masturbar, ter um orgasmo sozinha não era um problema. Mas durante a faculdade, quando comecei a fazer sexo com um parceiro, não conseguia ter mais orgasmos. Na época, eu botei culpa no fato que tinha começado a tomar remédios antidepressivos, que podem trazer a anorgasmia como efeito colateral. Mas depois que eu parei de toma-los com 24 anos, os orgasmos com parceiros ainda não estavam acontecendo. Eu me dei conta que tinha algo a mais que estava me impedindo de gozar como eu conseguia antigamente. Eu comecei a acreditar que nunca mais teria um orgasmo durante o sexo. 

Virou um grande medo. Toda vez que eu transava com um parceiro, eu ficava com tanto medo de não gozar que eu não conseguia sentir o prazer necessário para chegar lá. Eu, como tantas mulheres, tinha medo de pedir para os parceiros o que eu realmente precisava - a estimulação clitoriana - porque tinha medo de estar adicionando mais pressão para ele. 

Quando eu tinha 25, comecei a sair com um novo cara, e estava determinada a gozar com ele - tão determinada que eu fiz um curso online para como aprender a gozar. O curso falava de diferentes formas de tocar na vulva assim como os mais comuns bloqueios psicológicos para ter um orgasmo, como a baixa estima corporal e o medo de perder o controle. 

Eu fiquei com uma tarefa intimidante: eu tinha que ser mais proativa e falar o que eu precisava, onde queria ser tocada, pedir mais tempo, ou criar novas fantasias. Eu precisava falar o que precisava para meus parceiros, um pensamento que me deu uma séria ansiedade.

Na próxima vez que estava com meu parceiro, ele começou a acariciar o meu clitóris. Ao invés de colocar o pênis dele na minha vagina, como estava acostumada, deixei ele continuar, abrindo minhas pernas e ficando confortável. Eu me senti insegura em ficar mais tempo ali. Eu tive muitos caras que ignoraram meu prazer (incluindo um encontro na universidade memorável em que o cara deu cinco lambidas na minha vulva quando eu finalmente tive coragem de pedir para ele me chupar) e pensava que sexo manual ou oral eram preliminares para a penetração, ou presentes dos caras quando eles se sentiam generosos.  

Tomar tempo e espaço para gozar parecia egoísta, como se eu fosse sexualmente muito exigente.

Ficava numa área esquisita de me sentir extremamente excitada e sentindo uma autoconsciência dolorosa. Eu disse para mim mesma que ele parecia gostar de me dar prazer. Que ele estar curtindo não era egoísta da minha parte. 

Foi uma luta livre mental desgastante, mas funcionou: eu me forcei a silenciar a minha ansiedade e gozei pela primeira vez em muito tempo. 

Assim que fiquei mais confortável com meu parceiro, fiquei mais confortável em falar o que eu gostava, demonstrar em como eu me tocava, e sempre falar quando alguma coisa não funcionava para mim. Durante a penetração, eu finalmente tive a coragem de me tocar ou trazer um vibrador de clitóris ou um vibrador para casais - algo que excitava ele também. Eu tinha fantasias quando precisava, mas também aprendi a entrar mais no momento tendo pensamentos sensuais no que estávamos fazendo - e dividindo com meu parceiro. No final do meu relacionamento de três anos, gozar com ele ficou fácil e eu já sabia que ter um orgasmo durante o sexo era longe de ser impossível. Mas quando meu relacionamento acabou, todas as minhas ansiedades antigas voltaram - e se tivesse algo errado comigo e ele era o único que poderia resolver isso?

O problema é que, embora eu tivesse aprendido a ter um orgasmo junto com meu namorado, tinha uma pequena parte de mim que sentia que dizer para ele como me trazer prazer era uma grande tarefa chata. É claro, meu parceiro gostava de fazer isso - essa não é beleza de estar em um relacionamento? - mas eu não sabia se mais alguém gostaria. Tomar o tempo e espaço que eu precisava para gozar parecia egoísta. Eu não conseguia não pensar que aprender a ter orgasmo com um novo parceiro iria ser um impedimento do meu relacionamento com eles. 

E então eu comecei a ver alguém novo. No nosso sexto encontro, estávamos na cama abraçando e beijando, ele encostou no meio das minhas pernas. O pânico familiar tomou conta. 

Para me acalmar, eu me disse que eu não precisava ter um orgasmo, só sentir prazer era um bom primeiro passo. O curso que tinha tido três anos atrás tinha me ensinado isso: se você está pensando muito em chegar lá, você pode perder o prazer que te leva ao orgasmo. Então eu deitei e fechei meus olhos, gemendo para me ajudar a excitar. Eu sentia que estava perto, mas ele não estava ainda no lugar certo. Mas desta vez, decidi não esperar meses para perguntar: “Quer que eu te mostre como eu faço?”. Uma vez que eu mostrei, ele entendeu na hora. 

Eu não sou a única mulher que internalizou a crença que os meus orgasmos eram supérfluos ou davam muito trabalho. Mas a verdade é que, nós não estamos pedindo mais do que os homens deveriam esperar.  

Quando eu estava em uma fase sexualmente mais exploratória, tive um amigo com benefícios, um ménage, fui em um encontro em uma orgia - eu tive todas as oportunidades para praticar falar por mim mesma. Pedi para um ficante brincar com meus seios, outro como tocar no meu clitóris, dei para outro o meu vibrador favorito para usar em mim,  e me masturbei na frente de mais um ficante. Eu contei em confidência para um cara, que dei várias instruções específicas de como me dedar, que eu ficava autoconsciente de pedir tantas coisas. “Não, tá ótimo pra mim” - ele disse - “Toda mulher é diferente, como eu vou saber o que você gosta?”. 

De novo e de novo, eu encarava meu medo de ser muito exigente com meus orgasmos. Eu aprendi que meu corpo não é tão difícil como eu achava. Geralmente, eu só tenho orgasmos se eu me dou a chance de falar o que eu preciso - e até agora, só tive parceiros que ficaram felizes em seguir o que eu falava. Eu tinha medo deles me acharem muito exigente se eu precisasse de certas coisas na cama, mas depois de falar sobre isso, eu me dei conta que eles estão muito ocupados demais julgando suas habilidades sexuais para serem críticos comigo. 

Ter um orgasmo com um parceiro pode levar um tempo de primeira, principalmente se você está ansiosa para gozar com ele, mas todo parceiro que vale a pena vai entender como te satisfazer e vai te ajudar a chegar ao seu clímax - com o tempo, você vê que tudo isso fica mais fácil. 

E ainda existe um bônus: quando você aprende a pedir o que você quer, você vai ter mais que orgasmos. Você vai criar uma conexão mais profunda com o seu parceiro - mesmo que seja um parceiro casual - mas é igualmente recompensador. 

Escrito por Suzannah WeissTradução livre de artigo publicado originalmente na Glamour. Leia o artigo original.

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1 comentário

Sem palavras…. minha intimidade narrada por uma estranha! 😲
Eu acrescento mais uma sensação negativae que tive que trabalharpara ganhar segurançana intimidade: se tem que pedir é porque meu parceiro “não me dá a atenção suficiente”.. não sabe “me ler”… “não repara no que me faz sentir prazer”. A realidade é que ninguém faz telepatia né…

Alejandra 15 setembro, 2020

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